O que fazer com a ferrovia que corta Itapetininga?

O modal ferroviário desperta nostalgia por quem vivenciou um período significativo no transporte de passageiros. No final dos anos 1990 iniciou-se o desaparecimento gradual de viagens sobre trilhos, o qual tornou-se lenda essa experiência. Quem mora em alguns estados ou os visita ainda consegue permanecer vivo essa admiração por trens, algumas cidades aqui em São Paulo também. Por que Itapetininga também não pode ser incluída nesse movimento, já que possui uma história ferroviária muito bonita?!

O poder público prometeu a construção de aeroporto (se houver operações comerciais é muito válido, mesmo com com poucas rotas). Nota-se o crescimento da cidade na última década com a expansão de investimentos por aqui. Em algumas pesquisas na internet já achei projetos engavetados de trem turístico por aqui. Qual a dificuldade do engajamento municipal tanto do executivo quanto do legislativo para isso? Para empresários surgirão oportunidades, enquanto para os turistas e munícipes novas opções de lazer e entretenimento e em contra partida o município conseguirá gerar receitas através de arrecadação de impostos desta iniciativa (como de costume). As linhas Curitiba – Morretes, São Paulo – Jundiaí, São Paulo – Paranapiacaba e até mesmo Sorocaba-Votorantim fazem uso desses serviços! Uma outra opção é tentar incluir Itapetininga em futuros projetos do TIC (Trem Intercidades) ou projetar VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ligando a zona urbana à distritos em horários alternativos aos ônibus e onde passe a malha ferroviária existente, como por exemplo o distrito do Morro do Alto. Em relação ao TIC, o governo estadual estuda novas rotas a serem implantadas no estado e que estão em andamento. Esses estudos incluem por exemplo uma ligação entre Iperó à Cajati, passando por Itapeva e Registro visando desenvolver essas regiões. Nesse cenário a logística passaria por Tatuí e Itapetininga. Por que não pleitear uma estação com embarque e desembarque aqui na cidade?! Há projetos por exemplo de VLT com uma rota que ligará Geroge Oetterer em Iperó à Sorocaba. Isso facilita muito a vida dos cidadãos locais no médio e longo prazo. Enxergamos que nações desenvolvidas preservam seu modal ferroviário não apenas para transporte de cargas mas também para o transporte ativo de passageiros, até economias emergentes como a índia, mesmo com uma certa precariedade estrutural em algumas regiões do país mostra-se mais eficiente que o Brasil nesse aspecto.

Um outro atrativo que poderia ser útil são as realizações culturais em estações abandonadas. Aqui em Itapetininga isso já foi tentado mas refutou-se brevemente. Mesmo em locais que há transporte ativo de trens de passageiros e/ou de cargas há esse fomento cultural, mesmo que esporádico. Em Sorocaba há algo nesse sentido, assim como em Campinas e em São Paulo. Deixar esses recintos abandonados contribui-se para a criação de um “entretenimento marginal” voltado ao consumo e comercialização de entorpecentes sem contar na insegurança, vulnerabilidade de mulheres como potenciais vítimas de violência sexual, sem contar os diversos crimes ambientais oriundos de uma educação familiar muitas vezes deficitária… Tratando com seriedade é possível transformar esse cenário! Se nada for feito continuaremos na ilusão de um progressismo voltado apenas a ideologias elitistas e que na prática como sociedade em estaremos em um conflito utópico conosco. A consequência disso é a manutenção ou aumento de isolamentos, manutenção e crescimento de sentimentos e ideologias provincianas contribuindo para uma manutenção constante de um ostracismo esquizofrênico como já acompanhamos levemente alguns traços já fincados e difíceis de serem transformados…

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