Chega dezembro e algo curioso acontece, as pessoas começam a agir como se o ano tivesse acabado antes do calendário.
Como se a disciplina entrasse em recesso, como se o corpo aceitasse desculpas embaladas em papel de presente.
A esperança passa a ser quase infantil:
- talvez o Papai Noel resolva,
- talvez os fogos do dia 31 apaguem tudo,
- talvez o barulho da virada esconda aquilo que foi mal feito o ano inteiro.
Mas não vai!
O Papai Noel não leva embora a falta de treino, os fogos não queimam meses de desleixo e o Ano Novo não conserta escolhas erradas repetidas com convicção.
Dezembro não é o problema, ele só escancara o autoengano.
É nesse mês que muita gente decide “dar um tempo”.
Dá um tempo do treino.
Dá um tempo da alimentação.
Dá um tempo do compromisso consigo mesmo.
E faz isso acreditando que está tudo sob controle.
Não está.
Porque enquanto você finge que dezembro é o fim da vida,
janeiro, fevereiro e março estão logo ali.
Com provas marcadas.
Com desafios definidos.
Uma corrida de 5 km.
Um 10 km.
Uma maratona.
Um Ironman.
Ou simplesmente aquele primeiro desafio que você diz, há anos, que vai fazer.
A largada não se emociona com discurso, ela cobra preparo. E o corpo, quando chega lá, conta toda a verdade.
É ali que muita gente passa mal, quebra, desiste e sai dizendo que “não era o momento”.
Mas não foi dezembro que errou, foi o ano inteiro.
Dezembro só foi o mês em que o erro foi assumido sem culpa e ainda comemorado com champanhe.
Enquanto alguns entram em modo férias da própria vida,
outros seguem.
Em silêncio.
Treinando quando ninguém está olhando.
Abrindo mão do conforto imediato para sustentar um objetivo maior.
E é por isso que algumas pessoas chegam onde chegam.
É por isso que algumas medalhas estão onde estão.
Não é talento.
Não é sorte.
Não é milagre.
É renúncia.
É escolha.
É abrir mão agora para não quebrar depois.
Quem entende isso não espera o Papai Noel passar
nem os fogos acabarem.
Não negocia com a própria fraqueza nem terceiriza a responsabilidade.
Porque sabe que, no fim,
ninguém corre por você,
ninguém pedala por você,
ninguém cruza a linha por você.
Nem o Papai Noel.
Nem os fogos.
Só você.