O perfil identitário do jornalismo no mundo

Cada sociedade possui seu próprio jeito de se comunicar, isso não apenas no idioma mas referências comportamentais de gerações anteriores e influências culturais muitas vezes importadas e exportadas. Quem acompanha não apenas a mídia mas também a imprensa nacional e internacional nota-se algumas características não apenas estéticas mas toda uma filosofia em levar conteúdos aos seus consumidores. Pretendo resumir e aprofundar na medida do possível a seguir as principais referências e formatos.

Inicio entrando um pouco no aspecto geopolítico. O mundo é dividido por 3 forças, sendo elas Estados Unidos, Europa e Ásia, juntamente a suas regiões periféricas. Os EUA possuem como zona de influência todo o continente americano. Os europeus possuem como áreas influenciadas o continente africano e o oriente médio. Os asiáticos detém influências sobre o sudeste e sul do próprio continente, juntamente a oceania. Entre as décadas de 1980 e 1990 o Japão esteve neste posto, porém desde a metade dos anos 2000 a China ocupa essa liderança. Assistindo ou lendo alguma publicação dessas regiões observamos algumas diferenças e muitas vezes ligadas a características culturais oriundas das artes cênicas. A América Latina mesmo sendo influenciada pelos EUA ainda conseguem ter identidade própria em algumas situações.

Alguns classificam como sensacionalismo mas os “Breaking News” (Vulgarmente conhecido por Plantão) da TV estadunidense possui referência do cinema local. O mesmo dinamismo, narrativas, trilha sonora e condução de notícias segue semelhante aos roteiros “hollywoodianos” sempre com a construção de um protagonista, a destruição de sua imagem e em seguida após muita luta a sua redenção perante a opinião pública, assim como ocorre em muitos filmes.

Na Europa já encontramos um perfil mais analítico, com exceção de alguns tablóides. A sua referência vem do Teatro com algo menos impactante e mais sensorial, expressivo e sóbrio. Desde tonalidades de filtros utilizados nas transmissões ao videografismo passando por abordagens mais diretas. O curioso é que o próprio cinema europeu possui forte ligação com o minimalismo encontrado no teatro, algo que aqui no Brasil podemos encontrar essas obras geralmente em cinemas de rua ou cineclubs ou eventos alternativos (Quando cheguei à Itapetininga já tive o privilégio de participar de alguns encontros no auditório Abílio Victor e que eram organizados pelo Sr. Lourival Ricchetti. As vezes no SESI aqui de Itapetininga há alguns trabalhos nesse sentido, mesmo filmes nacionais já que o cinema nacional tem como referências o estilo europeu, sem deixar de introduzir aspectos brasileiros nas obras). Esses eventos que participei por aqui no ano de 2016 eram gratuitos. Foi um achado pois na época havia uma deficiência alta em divulgação de conteúdos culturais e de entretenimento na cidade. Em São Paulo o Cine Belas Artes e o extinto Itaú Cultural supriam minhas necessidades. Até documentários são/eram exibidos (nacionais e internacionais). Quando achei esse espacoe gratuito fiquei feliz, assim como as peças teatrais do SESI. Em SP na maioria das vezes são pagos. Portanto sempre é valido a valorização desses locais para o fomento cultural local e com propósito, sem forçassão de barra.

O perfil asiático há influências mescladas do sistema europeu, como do americano. Dependendo do país com algumas peculiaridades, casos de Coréia do Sul, Japão e China com uma disciplina sistemática comum em suas culturas locais. Já a Índia com sua “bollywood” tem sua referência dos EUA com o “tempero local” tanto no cinema quanto no jornalismo.

Por fim a América Latina, principalmente o Brasil tem nas novelas a sua referência. Muitas histórias quando são abordadas cria-se um suspense sempre com um lado através do surgimento de vilões e protagonistas nas “histórias” mastigadas aos poucos. Nisso o sensacionalismo ganha espaço e servem como “inspirações” para futuras obras de telenovelas que agradam e conquistam audiências do público latino americano, principalmente com a ascensão de classes mais baixas, derrocadas das elites e todo pano de fundo que é possível afirmar no surgimento de flertes entre ficção e realidade da sociedade em que habitamos…

…Em resumo EUA possuem o cinema e suas séries como características que influenciam a mídia e imprensa local, países europeus o teatro e seu cinema (principalmente documentários e curta metragens) que já sofrem influência de peças e estilos teatrais (desde o Elisabetano, Arena, Italiano e de Konstantin Stanislawski), o asiático com a influência de ambos, acrescentando características milenares comportamentais e na América Latina, principalmente no Brasil e México (Que servem como referências aos demais países da região) apresentam-se características de criação de protagonistas e antagonistas que “arrastam-se em capítulos” os desfechos.

Quando me interessei pelos meios de comunicação em meados de 2002 já conseguia ter acesso a essas características que foram amadurecendo no decorrer dos anos e também na faculdade de jornalismo, que cheguei a cursar durante um período mas infelizmente não cheguei a concluir mas que me abriu portas para ter experiências singulares no audiovisual e imprensa escrita. Eu gosto mais do estilo europeu. No passado já cheguei a curtir mais o estilo estadunidense. Em algumas empresas de comunicação facilmente encontramos essas características em seus formatos ou linhas editoriais.

Pude apresentar um pouco sobre o assunto. Recomendo que os leitores pesquisem e aprofundem sobre o tema. Sou a favor do ensino da midialogia no ensino básico, principalmente no ensino médio. Não é do interesse do Estado que a sociedade pense! É interessante e lucrativo ao mesmo o processo de alienação e domesticação sistêmica! Assim criam-se “massas de manobras”… Isso é algo utópico (sociedade pensar e investir no seu intelecto) mas quem sabe em algum momento até a forma de governar seja mais inclusiva ao invés de individualista, como os princípios da social democracia escandinava?!

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