Love Parade e o Techno Berlinense

Estamos no pós carnaval, uma ressaca que foliões encararão após curtirem ao êxtase dos prazeres da carne devido esta ser uma festividade que cultua a carne humana. Não apenas no Brasil mas em todo o planeta. Na religião cristã esse período marca o início da quaresma, principalmente para os fiéis católicos… Em paralelo irei apresentar sobre a importância do Love Parade de Berlim para o movimento Techno como um todo.

Por muitos anos no Brasil o carnaval foi espaço destinado apenas ao Samba (principalmente no eixo RJ-SP); Samba Reggae (conhecido por Axé – Nomenclatura típica de religiões de matriz africana) na Bahia, além da dupla Recife e Olinda com suas regionalidades voltada ao Frevo e Maracatu juntamente a animação características dessas regiões. Com o tempo houve uma “democratização” de estilos. O Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda sempre serão referências e objetos estereotipados de exportação da alma brasileira para todo o mundo. Nos últimos 10 anos o carnaval de São Paulo vem ganhando força e investimentos, com isso deixa sua marca. Na capital paulista é possível encontrar blocos de música eletrônica, rock, reggae, hip hop, forró e outros estilos e vertentes. Nos carnavais tradicionais nos municípios já citados há essa “democracia” de forma limitada em áreas vip e camarotes de patrocinadores. Após essa breve explanação segue agora alguns parágrafos destinados ao Love Parade.

O love parade surgiu no ano de 1989 na então renascente cidade de Berlim (Pós queda do muro de Berlim e reunificação do país e da cidade). Sua atividade com esse nome durou entre 1989 à 2010. Sua filosofia pregava a paz e o amor. Como pano de fundo o Techno ecoava sobre a multidão presente nas vias entupidas de gente. (Ás vezes rolava Trance já que antes de ser um gênero, o mesmo surgiu como subgênero do techno). Sua criação foi motivada por “manifestação política” em contra ponto anti sistêmico em prol do amor, paz e união de todos (as). Os desfiles ocorriam com carros alegóricos e trios elétricos. DJs renomados como Sven Väth, Carl Cox, Paul Van Dyk, dentre outros e dançarinos, animavam os presentes que segundo estimativas superavam 1 milhão de pessoas. O evento ocorria no verão europeu (Junho – Setembro) e ditavam tendências, assim como a paradisíaca “Islas Baleares” também conhecida por Eivissa e famosa por Ibiza, localizada no Mar Mediterrâneo. Nesse período Ibiza era voltada à House, Berlim Techno e Trance e Londres ao Jungle e Drum And Bass. A música eletrônica européia hoje está presente em muitos países do continente porém no início do Love Parade os grandes centros eram Londres, Ibiza e Berlim, tendo Amsterdã como uma 4° opção e que estava em ascensão (hoje já está consolidada, principalmente no Trance junto as demais citadas).

No Love Parade haviam todos os tipos de perfis. Desde solteiros, casais, trisais, heterossexuais à homossexuais. No Brasil a mídia local já referenciou o evento como uma “Parada Gay Alemã” (Isso geralmente ocorre por desinteresse na causa, ausência de pesquisas básicas ou ações intencionais que buscam alienar e domesticar a sociedade). Talvez a parada gay brasileira tenha muitas referências do evento alemão mas o propósito deles não era esse mas que abraçava essa causa como um de seus pilares afinal eram defendidos a liberdade de todos os sentimentos, incluindo direito ao amor entre as pessoas (sejam de sexo opostos ou do mesmo sexo). Apesar de sua dimensão, o certame costumava ser tranquilo. Havia cobertura midiática das hoje extintas MTV (Europe e America), VIVA TV (Alemanha) e TMF (The Music Factory – Holanda). Essas emissoras colapsaram junto a indústria fonográfica com o tempo no conceito que conhecíamos e as consolidaram. O Love Parade é considerado “O pai de todos os festivais de techno”.

Em 2010 (último ano da realização do evento com essa nomenclatura) ocorreu uma tragédia. No dia 24 de julho de 2010 pelo menos 20 pessoas foram mortas ao serem pisoteadas em um tumulto originado em um túnel durante o evento. Entre os falecidos 7 eram estrangeiros. Conforme dados da polícia local, 340 pessoas ficaram feridas em decorrência a esse episódio. Em consequência disso, a organização do festival anunciou o seu cancelamento definitivo. Após um hiato de 12 anos, o movimento ressurgiu com os mesmos propósitos e filosofias mas como “Rave the Planet” com o mesmo idealizador Dr. Motte. Isso ocorreu para fortalecer o movimento e a música eletrônica. Esse ano ocorrerá em 15 de Agosto na Strasse des 17. Juni (Rua 17 de junho em português) entre as 14h às 22h (horário local – cerca de 09h às 17h no horário do DF) visando celebrar a diversidade e reforçar a cultura rave como patrimônio.

Alguns gostam já outros são contra… mas observamos que movimentos culturais impulsionam economias. O carnaval além de uma data cristã também é algo cultural em Veneza (Itália), New Orleans (Estados Unidos) com o seu Mardi Gras e principalmente no Brasil, como mencionei no início. Em relação ao Love Parade o que consumimos hoje (festivais eletrônicos) vem deste legado berlinense e movimentações que ocorreram em Goa na Índia (Psy Trance)… Que sejamos conscientes em curtir buscando o respeito e não atrapalhando a vibe dos coleguinhas…

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