Celebrado em 12 de março, o Dia Mundial do Rim mobiliza instituições de saúde em diversos países para conscientizar a população sobre a prevenção das doenças renais e a importância do diagnóstico precoce. Em 2026, a campanha global traz o tema “Saúde renal para todos – Cuidando das pessoas, protegendo o planeta”, com foco na ampliação do acesso a informações e exames que permitam identificar alterações na função renal.
Segundo a nefrologista Dra. Ana Carolina Silva dos Santos, a doença renal crônica é considerada um problema de saúde pública e atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
“A Doença Renal Crônica atinge 1 em cada 10 pessoas no mundo e tende a evoluir de maneira silenciosa nos estágios iniciais da doença. A cada ano, aproximadamente 21 mil brasileiros precisam iniciar tratamento dialítico. Na maioria das vezes, esse tratamento precisa ser realizado pelo resto da vida, caso não haja possibilidade de transplante renal”, explica a especialista.
De acordo com a médica, a detecção precoce é um dos principais caminhos para reduzir complicações e permitir acompanhamento adequado do paciente. Exames laboratoriais simples podem indicar alterações na função dos rins antes do surgimento de sintomas.
“A creatinina é o exame imprescindível para a avaliação da função renal. Por meio dela é possível estimar a taxa de funcionamento dos rins. Além disso, o exame de urina tipo I também pode trazer informações importantes sobre possíveis alterações renais”, afirma.
A nefrologista destaca que a doença renal crônica costuma avançar sem sinais evidentes nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas descubram o problema apenas em estágios mais avançados.
“Entre os sintomas que podem surgir estão inchaço, redução do volume urinário, espuma na urina e inversão do ritmo urinário, quando a pessoa passa a urinar mais à noite do que durante o dia. Em situações mais graves também podem ocorrer dificuldade para se alimentar, náuseas, vômitos, confusão mental e tremores nas extremidades”, explica.
A médica ressalta que algumas doenças estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento da doença renal crônica e exigem acompanhamento constante.
“Entre os principais fatores de risco estão a hipertensão arterial, o diabetes e a obesidade, que são condições bastante presentes na população. O histórico familiar de doenças renais também deve ser considerado como um sinal de alerta”, diz.
Segundo a especialista, manter essas condições sob controle é fundamental para preservar a função dos rins ao longo do tempo.
“Quando a pressão arterial e o diabetes não são controlados adequadamente, os vasos sanguíneos renais podem ser danificados, o que reduz gradualmente a capacidade de filtração dos rins”, afirma.
A hidratação adequada também faz parte das medidas de prevenção. A ingestão regular de água contribui para o equilíbrio do organismo e para o funcionamento do sistema urinário.
“A baixa ingestão de líquidos pode favorecer a formação de cálculos renais e também levar à desidratação, que é um fator de risco para a redução da função renal”, explica.
No Dia Mundial do Rim, a orientação da nefrologista é que a população mantenha acompanhamento regular da saúde e realize exames preventivos.
“A doença renal crônica é progressiva e pode não apresentar sintomas no início. Por isso, é importante que a população realize exames de creatinina e urina pelo menos uma vez por ano. A detecção precoce permite iniciar o tratamento ainda nas fases iniciais e melhorar o controle da doença”, orienta.
Além dos exames periódicos, a médica destaca que hábitos de vida podem contribuir para a prevenção das doenças renais, como hidratação adequada, prática regular de atividade física, alimentação com redução de sal e alimentos processados, controle de doenças crônicas e evitar a automedicação, especialmente o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios.

