Doze trabalhadores rurais foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda no bairro Aterradinho, em Angatuba (SP), após denúncia que levou a uma operação conjunta realizada na quinta-feira, 26 de março. O caso foi divulgado nesta segunda-feira, 30 de março.
Os trabalhadores, oriundos da região Nordeste, foram encontrados em dois imóveis no bairro Boa Vista. No local, não havia camas, e parte do grupo dormia no chão, sobre colchões em más condições. A fiscalização identificou ausência de água potável, preparo de alimentos em estrutura improvisada, botijão de gás armazenado em ambiente fechado, fiação exposta, instalações sanitárias sem condições de uso e acúmulo de lixo.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores atuavam na colheita de laranja na Fazenda São Benedito e haviam sido recrutados por um intermediário, responsável pelo alojamento e pela organização da mão de obra. Nenhum deles teve registro formal, e o pagamento combinado era de cerca de R$ 750 por semana, com descontos relacionados a moradia e alimentação.
As atividades foram encerradas em 18 de março, quando também foi interrompido o fornecimento de alimentos. Sem recursos, o grupo permaneceu no local até o dia 20, quando se deslocou até a unidade do trabalho em Itapetininga para relatar a situação. O atendimento deu origem à investigação.
Durante a operação, os alojamentos foram vistoriados e a equipe esteve na sede da fazenda, de acordo com a Polícia Militar. O proprietário foi notificado e recebeu proposta de acordo para regularização das pendências trabalhistas, incluindo registro, pagamento de verbas rescisórias e custeio do retorno dos trabalhadores aos estados de origem. O acordo não foi aceito.
O valor das verbas trabalhistas e rescisórias foi estimado em R$ 126.116,69, segundo o Ministério Público do Trabalho, que também solicitou indenizações por danos morais individuais e coletivos.
Após o resgate, o intermediário entrou em contato com os trabalhadores por telefone e fez ameaças. As ocorrências foram registradas, e a Polícia Militar acompanhou o grupo. No sábado, 28 de março, os trabalhadores foram transferidos para Itapetininga para garantir a segurança.
Uma nova tentativa de acordo está prevista para esta semana. Caso não haja entendimento, o Ministério Público do Trabalho informou que adotará medida judicial para garantir o pagamento dos valores devidos.



