Curta-metragem ‘O Invertebrado’ será exibido no Festival Audiovisual de Itapetininga

O curta-metragem O Invertebrado será exibido nesta quinta-feira, 30 de janeiro, no Festival Audiovisual de Itapetininga, no Árabe Bistrô. O filme, dirigido por Andréa Paques e Denise Brunatto, traz uma releitura contemporânea de A Metamorfose, de Franz Kafka, e tem sido bem recebido pelo público e pela crítica.

Em entrevista, as diretoras compartilharam detalhes sobre o processo de criação do curta e suas inspirações. “A principal inspiração foi a experiência catártica que o livro nos rendeu. Ler Kafka é um choque, sua leitura nos tira do conforto, passamos a observar a sociedade de forma mais crítica”, afirmam.

A ideia inicial surgiu de um projeto teatral. “Tínhamos a ideia de montar algumas cenas teatrais de obras literárias que remetessem à solidão, e uma delas seria uma cena adaptada de A Metamorfose. Durante a pandemia, começamos a realizar curtas experimentais e criamos nossa página no YouTube. Pensamos então em filmar A Metamorfose adaptada, chegando a gravar algumas cenas. Antes de finalizá-las, surgiu a oportunidade de inscrever o projeto na Lei Paulo Gustavo, o que nos levou a fazer algumas adaptações, acrescentando cenas mais realistas e associando Gregor Samsa a um trabalhador que se vê doente”, explicam.

O título O Invertebrado reflete essa abordagem. “A ideia foi fazer uma analogia entre o inseto das cenas do absurdo e o trabalhador das cenas realísticas, demonstrando de forma metafórica que o humano que nada mais produz para a sociedade se torna um ‘inseto’, de fácil descarte”, destacam as diretoras.

Apesar do teatro ser o berço das cineastas, a transição para o audiovisual trouxe desafios. “Foram necessárias muitas pesquisas, buscas por referências e principalmente descobertas técnicas. Muitas cenas pensadas tiveram que ser adaptadas à nossa realidade técnica”, relatam.

O curta aborda temas filosóficos e existenciais comuns na obra de Kafka. “Trabalhamos de forma crua temas como solidão, depressão, crises existenciais e familiares, e o descarte humano. Queríamos que o público refletisse sobre essas questões”, afirmam.

A recepção tem sido positiva. “Não só pelo grande número de visualizações e comentários no YouTube, mas também nas exibições em escolas públicas, que geraram debates enriquecedores. O aspecto mais discutido foi o descarte humano, e como a sociedade nos descarta quando não mais produzimos para ela”, revelam.

Além da exibição no Festival Audiovisual de Itapetininga, o filme será apresentado no Shopping Sorocaba em fevereiro, em uma mostra regional. “Ainda pretendemos realizar exibições em mais escolas, faculdades e cursos técnicos, além de inscrevê-lo em festivais. Não temos intenção de transformá-lo em um longa, mas houve pedidos para outro curta inspirado em outra obra de Kafka ou até mesmo de outro autor da literatura. Talvez seja algo a se pensar no futuro”, concluem as diretoras.

 

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