Quando se pensa em festivais, o que geralmente vem à mente são apresentações artísticas, celebrações culturais e o brilho dos palcos. No entanto, por trás do espetáculo, existe uma engrenagem econômica poderosa que movimenta diversos setores e transforma realidades locais. O Festival de Dança de Joinville 2025 é um exemplo claro de como um evento cultural de grande porte pode se tornar um verdadeiro motor de desenvolvimento para a economia de uma cidade.
Durante a segunda quinzena de julho, Joinville se transforma em um polo cultural internacional, recebendo milhares de bailarinos, familiares, turistas e profissionais ligados ao universo da dança. A cidade atinge quase 100% de ocupação hoteleira, tornando o mês de julho o mais lucrativo do ano para o setor. Mas o impacto não se limita aos hotéis. Restaurantes, bares, lanchonetes e o comércio em geral também veem suas receitas crescerem significativamente, com um aumento médio de 15% no faturamento em comparação aos meses anteriores. Essa movimentação intensa chega até mesmo aos bairros mais distantes do centro, refletindo em contratações temporárias, aumento no consumo e maior circulação de renda.
Além da hotelaria e da gastronomia, diversos outros segmentos são diretamente beneficiados. Empresas de transporte, serviços de segurança e limpeza, montagem de palcos, costureiras especializadas em figurinos, motoristas de aplicativo e profissionais de tecnologia são apenas alguns dos envolvidos na cadeia produtiva que o festival ativa. Esse movimento gera empregos temporários, fomenta o empreendedorismo e proporciona renda para centenas de famílias joinvilenses.
Um destaque especial do festival é a tradicional Feira da Sapatilha, realizada no mesmo período. Com mais de 120 expositores, a feira movimenta a economia criativa, conectando marcas, artesãos e fornecedores locais a um público altamente segmentado e disposto a consumir. A feira se torna uma vitrine para negócios de moda, acessórios e tecnologia voltados à dança, com circulação de visitantes do Brasil e do exterior.
Outro ponto fundamental é a projeção cultural e turística que o festival proporciona à cidade. Reconhecido como o maior festival de dança do mundo pelo Guinness Book, o evento posiciona Joinville no cenário internacional da arte e da cultura. Essa visibilidade não gera apenas turismo imediato, mas também abre portas para futuros investimentos, intercâmbios culturais, parcerias educacionais e maior valorização do município como destino cultural permanente.
Para os bailarinos, o festival vai além da competição. Ele representa uma oportunidade de aperfeiçoamento técnico, conquista de bolsas e visibilidade profissional. Muitos utilizam o evento como trampolim para audições em companhias renomadas e escolas de dança internacionais, como o Bolshoi. Assim, o evento também atua como plataforma de formação, elevando o nível técnico e artístico da dança brasileira e fortalecendo a cadeia cultural de forma contínua.
O Festival de Dança de Joinville movimenta mais de cinquenta setores diferentes da economia local, e seus benefícios são amplos e duradouros. O dinheiro que circula durante o evento aquece o comércio, fortalece pequenos e médios empreendedores e reforça a identidade cultural da cidade. Além disso, contribui para que Joinville seja reconhecida não apenas como a cidade das flores ou das bicicletas, mas como referência mundial na promoção da arte.
Dessa forma, é possível afirmar que festivais culturais como o de Joinville não são apenas espetáculos artísticos. Eles representam investimento em desenvolvimento, geração de renda, qualificação profissional e valorização do patrimônio cultural. Em tempos de desafios econômicos, apostar em cultura é, também, apostar em crescimento, inclusão e futuro. Joinville nos mostra que, quando a arte encontra apoio e estrutura, ela dança — e com ela dança toda a cidade, em ritmo de prosperidade.