Estimados leitores e leitoras. Essa semana apresento à vocês um instrumento fundamental para propagar a energia dos presentes em diversos eventos existentes e principalmente que dão ritmos a gêneros musicais quando o mesmo é utilizado. O Djmebê possui origem africana e pode ser encontrado desde reuniões religiosas de matriz africana, junto aos atabaques quanto em músicas produzidas no continente, desde a subdivisão sub saariana, quando mais ao sul e ao norte ao lado do derbake onde dançarinas de dança do ventre exibem seu charme e talento no palco para apreciadores (as) desta arte. No Brasil encontramos em ritmos que remetem a influência da África, como no Samba e suas vertentes como em outros estilos. Na Europa funde-se com outros estilos, assim como no restante do continente americano. Na música eletrônica (principalmente com a ascensão do afro house e o amapiano) é possível ouvir alguns toques e batuques. Em eventos com temática Chill Out, Lounge, Ambient, Downtempo encontra-se com maior facilidade a utilização e o som do mesmo…
O Djembê é um tambor que possui suas origens no Guiné, situado na África do Oeste. Ele é muito antigo e atualmente, como já mencionei é importantíssimo nas culturas do continente, sobretudo na região mandingue, que corresponde ao Mali, Costa do Marfim, Burkina Faso, Senegal e a o próprio Guiné, onde surgiu. A percussão pode variar de 30 a 40 cm de diâmetro. O som é obtido por percussão direta com as palmas das mãos. Devido à grande largura e ao formato do instrumento, é possível obter uma grande gama de sons diferentes, mesmo nos diâmetros menores. Próximo ao centro o som é grave e vibrante. Próximo ao aro é mais agudo (quase metálico). Nuances de som podem ser obtidas por um músico experiente, ao tocar com a palma da mão ou as pontas dos dedos. Uma das mãos pode ainda ser usada para abafar a pele enquanto a outra a percute, o que produz variações de timbre entre as notas. O djembê é tocado com o músico sentado com o instrumento entre as pernas ou em pé. Nesse caso o tambor é sustentado por alças presas ao ombro e fica abaixo da cintura do executante. O formato de cálice permite que o músico se movimente livremente executando passos de dança enquanto toca. Esse instrumento é muito popular por músicos que gostam do ar livre. Foi adoptado por tribos urbanas para dar ritmos aos sons da cidade, é na natureza que encontra o seu espaço verdadeiro. Porque foi da natureza que surgiu, atravessando períodos que remetem a origens milenares. No decorrer do tempo não sofreu grandes alterações na sua estrutura física. Segundo tradições locais diz o djembe é uma entidade viva, que alberga os espíritos da árvore de que foi feito, do animal que forneceu a pele, e do músico que o toca. Digamos que seja um encontro espiritual entre o universo e o percussionista que desfere as batidas neste tambor carregados de histórias, energias, vibrações e místicas. Os djembes são muito populares pela sua portabilidade, por não precisarem de serem ligados à corrente (apenas sintonizar as ondas cósmicas certas), e por serem um instrumento muito orgânico, apelando a um estilo de vida mais em contato com a natureza.
Como conseguir efetuar notas no tambor africano? Para retirar um som grave, batam com a mão aberta mesmo no centro da pele. Assentem a mão inteira numa palmada rápida, e deixem o som prolongar-se. Tentem várias vezes até conseguirem obter o melhor grave que conseguirem, e agarrem-se a ele: é o tom base do ritmo. Se tocarem mais nas margens da superfície da pele, é possível obter tonalidades mais brilhantes devido à maior tensão acumulada nessa área. Para obter esses sons de forma mais precisa e consistente, usem apenas a parte inferior dos dedos, que estão juntos e achatados, e a parte superior da palma da mão, em vez da mão inteira. Procurem os diversos sons batendo desde em redor do centro até à margem da pele, para procurarem o som e o timbre que melhor funciona. O Slap é uma palmada seca aplicada na mesma zona dos tons médios, mas que é aplicada com a mão ligeiramente em concha, em vez de achatada. Apenas as margens da mão e a ponta dos dedos tocam na pele, num contato rápido.
A música árabe e o djembe figuram como dois titãs musicais de dois continentes distintos – o darbuka (percussão árabe) do Oriente Médio e o djembê africano podem parecer que vêm de lugares diferentes, mas com certeza falam a mesma língua quando fundem-se no ritmo. O Djembe, também é conhecido como o ‘Tambor da Unidade’ porque une as pessoas. Possui três tipos principais: o Sang Ban, Kenkeni e Djun-Djun. Cada um deles tem tamanho e afinação específicos, criando um conjunto versátil quando tocados juntos. Esculpido como uma taça também, mas maior e de fundo aberto, o baixo ressonante e estrondoso do djembê contrasta com os agudos nítidos do darbuka. O darbuka é normalmente tocado no colo ou debaixo do braço do percussionista, com movimentos rápidos dos dedos proporcionando ritmos intrincados. Frequentemente feito de metal ou cerâmica. A cabeça ou pele é uma folha sintética ou pele de animal como uma cabra ou peixe. Estes, por sua vez, contribuem para o seu som único e nítido. A pele é normalmente aquecida se for de origem natural e bem esticada para produzir aqueles agudos claros que são o tom característico do darbuka. Por outro lado, o djembe é esculpido em um pedaço sólido de madeira, o que torna seu som profundo, grave e dominante nas frequências baixas. Tocado com as mãos nuas, ele oferece uma ampla gama de sons – desde um grave profundo até um tapa alto e retumbante. A pele de um darbuka é bastante fina e, dependendo do tamanho da pele, varia entre 0.3 mm e 0.5 mm. Por outro lado, o djembe tradicionalmente usa uma cabeça de pele de cabra mais espessa e não tratada. A técnica de execução também contrasta com a do darbuka, envolvendo um movimento mais agressivo com o braço inteiro, em vez de golpes centrados nos dedos.
Culturalmente, enquanto o darbuka ocupa o centro das atenções nos conjuntos de música árabe, o djembe domina as tradições musicais da África do Oeste, frequentemente utilizado em reuniões comunitárias. O Djembe tem tudo a ver com a paixão flamejante e a celebração espontânea do momento em que a tribo dança uma cerimónia especial. Esses dois tambores, apesar de estarem distantes do mundo, são usados como ferramentas de comunicação em suas culturas. Ambos guiam os dançarinos com seus padrões rítmicos. A dançarina do ventre está sempre perto do Darbuka para captar essas pequenas nuances. Entre o povo Mandinga, um grande grupo étnico espalhado pelo Mali, Senegal e Guiné, o djembe não é apenas um instrumento. É um contador de histórias, um símbolo de unidade e uma ponte entre o presente e o passado. Tradicionalmente, é tocado em situações significativas, como casamentos, funerais e ritos de iniciação. O ritmo do djembe ajuda a contar a história da tribo, transmitir sabedoria e unir as pessoas. Entre ambos qual possui um som impactante? darbuka ou djembê? É como pedir bolo ou sorvete – ambos são doces, mas de maneiras diferentes. É o mesmo com esses dois tambores. Quer seja o baixo ressonante do djembê ecoando pela savana africana, ou as batidas agudas do darbuka perfurando a noite árabe, estes instrumentos mostram-nos como diferentes culturas interpretam o ritmo, o som e a dança. E embora sejam diferentes na construção, execução e técnicas, no final das contas, ambos aproximam as pessoas da linguagem universal da música e é possível encontrá-los juntos em um recital ou apresentação árabe também como em fusões com as demais culturas existentes no planeta.
Mesmo os mais preconceituosos que associam o instrumentos a conceitos retrógrados e que faltam com o respeito a praticantes e admiradores da espiritualidade africana não ficam parados quando o som está sendo executado com maestria por quem entende… Danças são comuns e a diversidade necessária para transmutar e emitir o que há de melhor nas energias que carregamos conosco. Sejamos felizes pois no universo há trocas, sejam de energia, conhecimentos, paixões e etc. Vamos curtir as batucadas e regeneram as nossas vibrações, sejam elas acompanhadas de batuques de influências nacionais, internacionais ou com o auxílio eletrônico que seja.


