Dedicação, disciplina e superação. Essas três palavras definem bem a trajetória de Adriano Consorti, triatleta apaixonado por provas de resistência e pela busca constante por novos limites. Dono de uma rotina intensa e de uma força mental admirável, ele se tornou referência para quem vê no esporte mais do que competição — vê propósito.
Na entrevista concedida ao Jornal Panorâmico, Adriano fala sobre o início no triathlon, os desafios enfrentados, o equilíbrio entre treinos e trabalho, e a importância da mente nas provas de longa duração. Com humildade e paixão, ele compartilha aprendizados de uma jornada que vai muito além das medalhas.
Entrevista – Adriano Consorti, triatleta
- Como o triathlon entrou na sua vida? Foi amor à primeira vista ou uma descoberta ao longo do tempo?
Adriano: Acho que tudo começou quando trabalhei como staff em uma prova na cidade, ainda criança. Aquilo despertou em mim a vontade de um dia participar. Queria ser igual àqueles atletas que assisti. Entre a primeira vez que vi uma prova e o momento em que realizei a minha, se passaram mais de 15 anos. - Você é conhecido pelas provas de ultra-resistência. O que te motiva a buscar desafios tão longos e exigentes?
Adriano: Gosto da sensação de realizar provas que poucas pessoas estão dispostas a fazer. É uma mistura de desafio, superação e prazer. - Como foi o processo até chegar às distâncias extremas?
Adriano: Percebi que em provas mais longas eu aumentava minhas chances de vencer. E, claro, eu queria vencer. Fui ampliando as distâncias aos poucos, notando que me saía bem e, sempre que terminava, sentia que dava pra ir um pouco além. - Toda jornada tem obstáculos. Qual foi o momento mais difícil da sua trajetória e como você superou?
Adriano: Só quem pratica um esporte sabe o quanto a gente precisa abrir mão pra se dedicar. Nesses quase 10 anos de triathlon, enfrentei barreiras financeiras pra participar de provas, mas tive a sorte de contar com parceiros que me ajudaram a continuar. Em 2024, vivi o ano mais difícil da minha vida — minha mãe ficou doente e acabou falecendo. Em vez de abandonar o esporte, busquei nele a força pra seguir. O triathlon foi essencial pra atravessar o luto. - Muita gente vê o triathlon como algo “fora da realidade”. Que mensagem você deixa pra quem acha que “não dá conta”?
Adriano: Tudo que é novo assusta no começo. Lembre-se: todos os atletas que você admira começaram do zero. A confiança vem com a constância. A vontade de ganhar aparece quando você chega perto da vitória pela primeira vez. Esquece essa ideia de que não dá conta — todo dia você pode ser o que sempre quis ser. - O quanto a mente é importante nas provas longas? O mental vence o físico?
Adriano: Sem dúvida. Uma pessoa mentalmente forte consegue terminar uma prova mesmo sem estar no auge físico. Já alguém em excelente forma, mas fraco mentalmente, pode desistir antes da linha de chegada. - Como é sua rotina de treinos e recuperação, conciliando com trabalho e vida pessoal?
Adriano: Sou comprador há mais de 20 anos, formado em Engenharia de Processos, e trabalho de segunda a sexta como a maioria das pessoas. Com o tempo, consegui encaixar uma rotina: treino duas vezes por dia, intercalo as modalidades, durmo e acordo cedo. Tenho a sorte de ter uma esposa que me apoia em tudo — e isso é fundamental. - O triathlon te transformou como pessoa? Em que aspectos?
Adriano: O esporte construiu quem eu sou hoje. Ele me torna mais criativo, confiante e dinâmico, e me ensina todos os dias sobre resiliência. As ultradistâncias me fizeram conhecer meus limites e entender de verdade do que sou capaz — é um autoconhecimento que nenhum curso ensina. - Qual foi a prova mais marcante da sua carreira até agora e por quê?
Adriano: A prova mais marcante é sempre a próxima. Isso me mantém motivado, com a sensação de que o melhor ainda está por vir. - Que conselho você daria a quem sonha em completar o primeiro triathlon ou até mesmo um Ironman?
Adriano: É muito mais simples do que parece. Você precisa de constância, disciplina e foco. Mentalize todos os dias o seu objetivo — e ele se torna alcançável. - O que o esporte representa pra você hoje, depois de tantas experiências?
Adriano: Minha vida é pautada pelo que o esporte me ensinou. Promovo esse estilo de vida diariamente e sei que minhas atitudes podem inspirar — ou desmotivar — alguém. Por isso levo isso como uma responsabilidade. Gosto de compartilhar o que aprendi e ajudar quem está começando. - Quais são seus próximos desafios e metas para 2026?
Adriano: Ainda estou concorrendo em 2025 a uma vaga no Last Man, uma prova de 24 horas promovida pela Z2. Em 2026, o foco é o 70.3 São Paulo. Tenho um acordo com minha esposa: ano sim, ano não. Então, nos anos pares, seguro um pouco as provas; nos ímpares, mergulho nas “loucuras” (risos). - Por fim, que mensagem você gostaria de deixar aos leitores e ouvintes do Jornal Panorâmico, especialmente àqueles que veem no esporte uma forma de superar limites?
Adriano: Lembrem-se: o melhor é a jornada, não o destino. Quando você se prepara pra uma prova dos sonhos, são 12 meses de dedicação pra um único dia de prova. É nesse percurso que estão os verdadeiros aprendizados. A prova é só consequência. E no dia seguinte, você já precisa estar pronto pra uma nova meta.



