Capão Redondo, extremo sul da cidade de São Paulo. Aos amantes do hip hop em sua vertente RAP quebrada onde surgiu e ainda moram alguns dos integrantes do Racionais Mcs. Na década de 1990 juntamente ao bairro vizinho, Jardim Ângela figuravam negativamente em um relatório da ONU de direitos humanos como a região mais perigosa do mundo com altos índices de assassinatos, violência e assaltos… Com o tempo as coisas mudaram e foi através da arte, cultura e participação social que os números tornaram-se reversos. Um jovem escritor e fomentador cultural de alcunha FÉRREZ idealizou e colocou em prática algo que até então não era comum na quebrada. Uma marca com a filosofia e identidade com a confecção, produção e comercialização de bonés através da marca 1DASUL. As bombetas (gíria paulistana para bonés) ganharam vida. Com isso a representatividade e crescimento da marca foi gradual no decorrer do tempo.
Segue o manifesto oficial da marca: “A 1dasul foi fundada em 1º de Abril de 1999 e tem como ideia ser uma marca voltada para a periferia, sendo desenvolvida por talentos urbanos, criando assim uma identidade autêntica com essas partes da cidade. O nome vem da ideia de todos sermos 1, na mesma luta, no mesmo ideal, por isso somos todos 1 pela dignidade das periferias. A marca com o tempo se tornou uma resposta do Capão Redondo e outras áreas para toda violência que nele é creditada, fazendo os moradores terem orgulho de onde moram”. Os trabalhos começaram de forma artesanal. Hoje além de peças exclusivas também fomentam cultura na região. Seu fundador Férrez além de escritor também é músico e possui parcerias com rappers como Maurício DTS, dentre outros. Ele é versátil! Integra também a banda de punk rock “FUGITIVOS DA FEMA” e promove ações culturais na região sem contar a idealização de um PODCAST chamado AVESSO TV que possui canal no Youtube.
Uma brincadeira de primeiro de abril que foi levada muito a sério e se transformou em uma famosa grife da periferia de São Paulo. Esta é a história da 1 da Sul, que em 26 anos cresceu e hoje conta com produtos diversificados em sua loja física e em sua e-commerce. A marca incentiva trabalhadores locais além de usar parte de sua renda para promover eventos culturais em regiões carentes. A ideia nasceu durante uma conversa despretensiosa entre três amigos na noite de 1ª de abril de 1999. Entre eles estava o escritor Ferréz, autor de livros como “Capão Pecado”, que já ganhou traduções para o inglês, alemão, espanhol e italiano. Ao ouvir de um dos colegas que nada estava acontecendo no Capão Redondo, Ferréz resolveu inventar uma história. “Você não ficou sabendo da 1 da Sul? É um movimento que surgiu esses dias e está promovendo um monte de shows e festas por aí”, brincou. Os amigos, porém, levaram a sério, e Ferréz acordou no dia seguinte decidido a bordar alguns bonés com a marca para vender entre os colegas. Conseguiu dinheiro para fazer apenas cinco, mas foi o suficiente para a iniciativa começar a se espalhar. “Eu era do movimento punk e sempre fui muito crítico com quem trabalhava o mês inteiro e gastava todo o dinheiro que tinha para comprar uma roupa de marca estrangeira. Mas as pessoas me diziam que não existia outra opção, então resolvi criar uma” afirma o empresário.
Assim, quando o escritor resolveu incorporar camisetas ao portfólio e instalou o primeiro ponto de venda da grife, na garagem de sua mãe, ele começou a procurar por oficinas de costura no próprio bairro, para incentivar a produção local. O sucesso da iniciativa foi tão grande que, ao buscar as 100 camisetas que havia encomendado, Ferréz foi surpreendido por receber apenas 70. A explicação para o sucesso é simples. Ao estampar a camiseta com pessoas comuns e com frases presentes na boca dos moradores da região, a 1 da Sul conseguiu criar uma identificação única com seu público. Além disso, desde o início a grife esteve ligada a artistas com forte influência nessas regiões, como Chorão, ex-vocalista da banda Charlie Brown Jr., e o rapper Criolo. “Fui muito ridicularizado no começo. As pessoas entravam na loja e perguntavam se eu tinha marcas famosas. Depois saíam dizendo que não daria certo. Mas hoje é muito fácil encontrar alguém usando uma peça nossa ou um carro com um adesivo da grife. E não apenas aqui no Capão, ela virou um símbolo para todos que vivem na periferia”, afirma.
Atualmente, os lucros obtidos pela 1 da Sul financiam uma série de eventos culturais no bairro, como quermesses populares e shows de rap. Além disso, eles ajudam a manter o Selo Povo, editora responsável por publicar e divulgar autores de literatura marginal, e a ONG Interferência, que atua na educação de crianças. “Três empresas já quiseram comprar a 1 da Sul, pois ela está muito inserida no meio da periferia. Mas ela só funciona porque o pessoal daqui me conhece, sabe da relação que temos com quem produz e das atividades que ajudamos a promover. Tudo isso faz com que as pessoas tenham orgulho de usar a marca e torna o negócio possível”, finaliza o idealizador da marca.
Sou um entusiasta da marca. Consumo alguns produtos deles e sempre sou bem recebido e tratado lá, principalmente pelo gerente Davi Aplik, que também é um poeta marginal e possui seus trabalhos postados na internet com muito talento e atitude. Se você não mora em São Paulo, como já mencionado eles possuem um site onde é possível adquirir seus produtos e ajudar a fomentar a cultura na periferia. Já adquiri produtos em sua loja física e também online. Só tenho elogios a tecer. Dia 15 desse mês, terça que vem haverá celebração dos 26 anos da fundação da 1 da Sul e contará com artistas como PUNHO DE MAHIN, REALIDADE CRUEL, SIMBIOSE, KING A BRABA e CRÔNICA MENDES no line up. O evento ocorrerá na sede da ONG Interferência. Quem não puder estar in loco poderá acompanhar no canal LEO RONKI no Youtube.
PARABÉNS 1DASUL! Vocês são inspiradores e necessários para dar voz a excluídos, mostrando que é possível fazer algo diferenciado na quebrada.
Segue os meios o qual é possível contatar a marca, consumir seus produtos e conhecer melhor seu propósito
Instagram: @1dasuloficial
Site: www.1dasul.com.br
Endereço: Av. Comendador Santanna, 406 – Capão Redondo – São Paulo/SP