No dia 29 de abril, celebra-se o Dia Internacional da Dança — uma data que, para além de homenagear a arte do movimento, convida à reflexão sobre o papel da dança no mundo contemporâneo. Em um cenário global cada vez mais marcado por disputas geopolíticas e tensões comerciais, a dança pode parecer um detalhe decorativo. No entanto, ela é, silenciosamente, uma protagonista na cena internacional — como instrumento de diplomacia, estratégia econômica e construção de imagem de países no exterior.
A dança integra o que estudiosos das relações internacionais chamam de soft power: a capacidade de um país influenciar outros não pela força ou dinheiro, mas por meio da cultura, valores e ideias. Na prática, isso se manifesta quando companhias nacionais de dança se apresentam em palcos estrangeiros, quando coreografias tradicionais ganham o mundo pelas redes sociais ou quando festivais internacionais de dança se tornam vitrines para o intercâmbio cultural.
Tomemos o exemplo da China, que há anos investe em turnês globais de suas companhias de dança tradicional, como forma de promover sua herança cultural. Ou dos Estados Unidos, onde o balé contemporâneo e a dança urbana se tornaram símbolos exportáveis de inovação e liberdade criativa. Países como o Brasil também utilizam expressões como o samba e a capoeira — que une dança e luta — para reforçar uma imagem de diversidade, energia e acolhimento. Esses movimentos não são neutros: carregam consigo narrativas, valores e identidades que moldam a percepção global sobre essas nações.
Do ponto de vista econômico, a dança também tem impacto. Além de movimentar setores como turismo, moda, audiovisual e educação, ela integra a chamada “economia da experiência”, cada vez mais valorizada em tempos de digitalização e busca por autenticidade. Festivais internacionais como o de Avignon (França), a Bienal de Dança de Lyon ou mesmo eventos em São Paulo e Salvador geram receitas significativas e atraem investimentos públicos e privados.
Mais do que entretenimento, a dança é um idioma universal que fala de resistência, memória e pertencimento. Ao ser levada para fora das fronteiras nacionais, ela deixa de ser apenas uma expressão artística para se tornar ponte entre culturas, vitrine para economias criativas e ferramenta estratégica de inserção internacional.
Neste Dia Internacional da Dança, talvez valha lembrar: quando um país dança, ele não apenas se move — ele se apresenta ao mundo.