Um som imponente que foi originado através dos aborígenes australianos. A primeira vez que tive contato com esse instrumento artesanal de sopro me encantei. Ele adapta-se a diversos estilos musicais, desde a música eletrônica (principalmente o techno e o trance) como o hip hop com a junção de scratchs, rimas dos mcs e para quem tem talento o beatbox… Facilmente pode ser encontrado em eventos com temática chill out, lounge, ambient, downtempo, new age e algo relacionado a meditações. Também em casos isolados (principalmente no exterior) divide espaço em recitais de música erudita. Uma sonoridade que quando ecoa junto a arranjos tradicionais ficamos impressionados. Os próprios nativos utilizavam esse material para adaptar-se ao ambiente selvagem com sons que remetem a natureza e animais, sendo na maioria das vezes aves. Muitos certamente nunca ouviu falar sobre, porém estou aqui para levar a quem tem interesse um pouco sobre as vibrações existentes no didgeridoo.
O didgeridoo é um instrumento milenar, como já mencionado. Segundo alguns estudos arqueológicos baseados em pinturas rupestres os aborígenes já utilizavam o mesmo há cerca de 1.500 anos. Ele é construído da forma tradicional. Para a construção desses instrumentos são usados troncos duros, especialmente de eucaliptos. Às vezes são usadas espécies nativas de bambu. Em geral corta-se o tronco inteiro mas um galho sendo considerado forte o bastante pode ser usado no lugar do tronco completo. Os artesãos aborígenes que constroem o didgeridoo também aproveitam troncos que foram esburacados por cupins. Quando encontram uma árvore aproveitável, selecionam o galho, retiram a casca, adornam as extremidades e o instrumento ganha forma. Nesse ponto o didgeridoo recém-construído pode ser pintado e pode-se acrescentar cera de abelha ao bocal do instrumento. Didgeridoos também são feitos a partir de tubos tipo PVC. Estes geralmente têm um diâmetro entre 4 e 5 cm e um comprimento que corresponde ao tom desejado. O bocal muitas vezes é feito da tradicional cera de abelha ou de fita adesiva. Uma rolha de borracha furada e de um tamanho apropriado também pode servir de bocal.
Para quem pretende aprender a tocar é necessário uma contínua vibração dos lábios para produzir o zumbido enquanto é usada uma técnica especial de respiração chamada respiração circular. Esta exige a respiração através do nariz enquanto que, ao mesmo tempo, a expiração deve ser feita pela boca usando a língua e as bochechas. Para um instrumentista experiente, a técnica da respiração circular permite que ele renove o ar de seus pulmões mantendo uma nota pelo tempo que desejar.
Paralelamente ao trabalho artístico também existem benefícios comprovados à saúde dos músicos e entusiastas do instrumento australiano. Em 2005, conforme uma pesquisa realizada pelo British Medical Journal descobriu-se que aprender tocar o didgeridoo ajuda a reduzir o ronco e apneia do sono, assim como o tempo necessário para o descanso. Isto parece funcionar devido ao fortalecimento dos músculos da via aérea superior, diminuindo a tendência de distúrbio durante o sono. Outro estudo, realizado no Brasil em 2008 por uma dupla de estudantes universitários comprovou-se diversos efeitos terapêuticos do instrumento. O foco principal era a redução da ansiedade, mas junto a isso demonstrou-se também uma melhora na qualidade de vida, redução à vulnerabilidade ao estresse e melhora da respiração com indícios de combate ao tabagismo (indicado por fumantes que participaram do estudo). Segundo relatos da cultura aborígene, uma raça superior conviveu com o seu povo durante muitos anos. Ao deixar o planeta Terra, estes seres deixaram o didgeridoo, como um instrumento para que os mesmos pudessem se comunicar telepaticamente com eles. O som emitido pelo instrumento leva a um interiorização (ou meditação), que, segundo a crenças locais, desenvolve estas capacidades de intuição e telepatia. O som é parecido com alguns mantras hindus e budistas.
A primeira vez que tive contato com o milenar didgeridoo foi assistindo a épica performance na internet do TIËSTO IN CONCERT de 2003 realizado no estádio Gelredome, na cidade de Arnhem situado na Holanda, o qual o DJ holandês em seu show incluiu influências de diversas culturas e sonoridades atravessando continentes… Na vez da oceania foi apresentado dois instrumentistas holandeses chamados De Jonge e Beijerink que tocaram ao vivo o instrumento. Atualmente conhecemos essas performances como Live Act. Junto as batidas do trance nos tocadiscos de Tiësto houve a introdução do som milenar australiano. Algo encantador e inesperado. Após isso pesquisei muito sobre e até curti projetos. Na França temos o duo parisiense Adèle et Zalem que tocam nas ruas da cidade luz, levando algo inusitado a tradicional metópole europeia. Aqui no Brasil é possível acompanhar o projeto de Chill Out Pedra Branca (Muito presente em festivais, raves e eventos de Ecstatic Dance) com Luciano Sallun como um dos principais instrumentistas, produtores e pertencentes ao projeto.
Coisas novas que nos tragam paz e nos livrem do caos. Essa é a proposta do Didgeridoo. Sons que acalmam e nos despertam curiosidades internas, longe das insanas e insalubres propostas comerciais contemporâneas sem bases e raízes fortes… Para adquirir um instrumento desses não é muito caro hoje em dia. Um típico importado da Austrália sim porque importações envolvem fretes, câmbios, seguros e etc… Na internet há tutoriais que podem te auxiliar a aprender as primeiras notas. Garanto que é algo fascinante e instigante quando isso ocorrer.


