Aos 40, fôlego novo: professora encara desafio dos 21 km e transforma rotina intensa em combustível para superação

Entre jornadas que começam às 7h20 e só terminam perto das 22h, a professora Francine de Góis encontrou na corrida não apenas uma atividade física, mas um ponto de equilíbrio emocional e mental. Prestes a completar 40 anos, ela aceitou o desafio do Projeto 021, programa de treinamento voltado à preparação para meia maratona e passou a reorganizar a própria vida em torno de um objetivo: provar para si mesma que constância e disciplina podem levar qualquer pessoa mais longe do que imagina.

Bate-bola com Francine de Góis

1. Quem é você fora da corrida e quando ela entrou na sua vida?
Sou professora, tenho 39 anos e uma rotina intensa de trabalho, manhã, tarde e noite. A corrida surgiu como uma forma de lidar com o estafamento mental e físico. Parece contraditório, mas quanto mais exijo do corpo correndo, mais alivio a mente. É um momento de conexão comigo mesma.

2. O que te fez entrar no Projeto 021 e encarar os 21 km?
Comecei a correr em dezembro sem saber controlar respiração ou ritmo. Conheci o projeto por uma amiga e, apesar do receio inicial, percebi que era um ambiente de apoio, não de competição. Correr com o grupo me mostrou que, mesmo sendo um esporte individual, a motivação pode vir do coletivo.

3. Como era sua relação com atividade física antes?
Fui sedentária por muitos anos. Depois da pandemia, mudei hábitos com funcional e Muay Thai. No fim de 2025 foquei na musculação e deixei o cardio de lado, até decidir correr sozinha. Eu achava que precisava correr rápido e sentia vergonha de correr devagar.

4. O que mudou na sua rotina com treino orientado?
Ganhei confiança e resistência. Hoje acordo às cinco da manhã para correr e organizo a rotina pensando nos treinos. Cada prática mostra que posso ir um pouco mais longe.

5. Diferença entre correr por conta e seguir planilha?
A planilha traz intenção e segurança. Deixei de correr no improviso e passei a entender cada treino — intensidade, leveza e descanso. A evolução fica mais consciente e sustentável.

6. O que a corrida mudou em você além do físico?
Virou um espaço de silêncio mental e organização emocional. Fortaleceu minha autoestima, disciplina e confiança. Mais do que exercício, é ferramenta de equilíbrio pessoal.

7. Já pensou em desistir?
Sim, principalmente nos dias de cansaço. O que me faz continuar é lembrar da evolução e da sensação boa depois de treinar. O apoio do grupo também é essencial.

8. O que significa cruzar a linha dos 21 km?
Será a materialização de uma mudança de mentalidade. Não é só distância; é a prova de que evoluí passo a passo e superei inseguranças.

9. O que espera de você mesma no projeto?
Constância e paciência. Quero entregar dedicação, responsabilidade e respeito aos meus limites. O compromisso é comigo mesma.

10. E do professor, o que espera?
Que continue sendo apoio além da planilha. Vejo o treinador como alguém que acredita em nós quando ainda estamos inseguros. Isso faz toda a diferença.

11. O que diria a quem acha que já passou da idade para correr?
Nunca é tarde. Corrida não é só para atleta, é para quem decide dar o primeiro passo. Não é sobre velocidade, é sobre constância.

12. Como espera se enxergar depois do projeto?
Mais forte física, mental e emocionalmente. Quero olhar para trás com orgulho de não ter desistido e saber que fui mais longe do que imaginava.

A história de Francine resume o espírito que move milhares de corredores amadores: não se trata de vencer adversários, mas de vencer versões antigas de si mesmo. Em tempos de rotinas aceleradas e cobranças constantes, a pista ou a rua vira território de autoconhecimento. E, para ela, a linha de chegada dos 21 km já começou a ser cruzada muito antes da prova: no dia em que decidiu começar.

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