De Itapetininga para o Mundo: Victor Vieira encara o Ironman 70.3 na Colômbia

O colunista esportivo do Jornal Panorâmico bateu um papo exclusivo com o atleta itapetiningano Victor Marques Vieira, 34 anos, advogado e apaixonado por esporte desde a infância. Casado e sempre muito ligado às raízes de Itapetininga, Victor reúne uma trajetória marcada pelo futebol, futsal e, mais recentemente, pelo triathlon, esporte que o levou até Cartagena, na Colômbia, para disputar o Ironman 70.3.
Na entrevista a seguir, Victor relembra sua história, conta detalhes dos treinamentos, compartilha desafios que enfrentou durante a prova e reflete sobre o papel do esporte em sua vida.

1. Para começar, quem é o Victor?
Sou Victor Marques Vieira, tenho 34 anos, advogado, casado e itapetiningano. É até engraçado responder isso sem falar da vida esportiva, porque cresci praticando futebol e futsal. Meu sonho era ser jogador. Defendi Itapetininga em jogos regionais, campeonato paulista e diversos torneios da região. Joguei futsal no Palmeiras (sub-17) e depois na AABB de São Paulo (sub-20 e profissional).
Acabei deixando esse sonho de lado, mas continuei jogando enquanto fazia faculdade de Direito. Até os vinte e poucos anos, o esporte era minha prioridade. Depois, vieram outros planos — terminei a faculdade e continuei praticando sem tanta responsabilidade, o que hoje vejo como uma escolha certa.
Tenho a sorte de ter uma esposa que ama o esporte e sempre me apoia, inclusive na decisão de fazer o Ironman 70.3 em Cartagena.

2. Como surgiu a ideia de participar dessa prova?
Eu não conhecia essa prova especificamente. Vi uma propaganda no Instagram, gostei da ideia da competição somada ao turismo — já queria conhecer a Colômbia. Pesquisei, conversei com a Carolina e decidimos juntos.

3. Como foram os treinamentos para um clima tão diferente do nosso?
Antes de tudo, pesquisamos muito sobre o local: temperatura, umidade, risco de chuva. Treinamos ajustando alimentação, velocidade e frequência cardíaca. Foi difícil porque o clima de Itapetininga é instável e frio, então precisei deixar treinos longos para o período mais quente do dia.
Existem treinos de aclimatação com sauna, mas esses eu não consegui fazer.

4. Qual foi seu maior receio antes da prova?
Que a bike não chegasse por algum erro do aeroporto. A ansiedade era enorme por isso. Sem bike, não tem prova — e não é possível alugar outra.
Claro que também existe o nervosismo antes da largada, mas isso faz parte do prazer da competição.

5. E como foi a experiência em Cartagena?
Fantástica! Outra cultura, outro clima, uma cidade histórica. A estrutura da prova é muito boa, semelhante à do Brasil. Eles ainda trouxeram o campeão olímpico e mundial Kristian Blummenfelt, o que atraiu muita atenção.
Havia atletas do mundo todo e muita torcida — algo espetacular.

6. E a prova em si? O que deu certo e o que saiu do planejado?
Tudo que planejei no Plano A foi por água abaixo logo na natação. Queria fazer abaixo de 35 minutos e saí com 39. Larguei mal, bati cabeça com outros atletas e travei.
Precisei recuperar o tempo no ciclismo — e consegui. Saí bem da bike, inteiro e confiante.
Mas, com 5 km da meia maratona, simplesmente perdi as forças. Achei que não iria terminar. A cidade era um forno.
Fui acertando alimentação e hidratação, mantendo pensamento positivo. No km 10/12 consegui voltar ao ritmo e finalizei os 21 km.

7. O que representa para você levar o nome de Itapetininga para outro país?
Um orgulho imenso. Sempre foi assim no futebol e futsal, e continua sendo agora no triathlon.

8. Qual foi o papel da sua esposa nessa experiência?
Fundamental. Ela foi minha staff e meu porto seguro. Nessas provas, quando você vê alguém familiar, as forças se renovam. Saber que ela estava lá por mim fez toda a diferença.

9. O que Cartagena te ensinou?
Que nossos planos, por mais perfeitos, dependem de muitos fatores para dar certo. O esporte imita a vida: alguns momentos estamos bem, de repente caímos, mas depois melhoramos e seguimos.
O caminho tem obstáculos, e precisamos compreendê-los e continuar.

10. E os próximos passos no esporte?
Sou novo no triathlon, tenho pouco mais de um ano e meio. Estou curtindo sem muitas pretensões. Quero fazer outras competições, talvez em outros países, mas sem planos fechados ainda.
Sobre o Ironman full… sinceramente, não penso. É um degrau muito alto e exige dedicação 300 vezes maior. Por enquanto, está fora dos planos.

11. Para fechar: qual mensagem você deixa para quem está lendo?
Não deixem de praticar atividade física. O esporte ajuda em tudo: na educação de uma criança, na cura de uma doença, no bem-estar diário.
E não liguem para o que os outros pensam. Comecem. Se você sentir que está no caminho certo, siga. Tenho certeza de que isso pode mudar sua vida.
Um abraço a todos!

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