A origem do maracatu remete-se a aspectos afro-brasileiros. Esse ritmo além de popular também é muito importante em vários estados do Nordeste Brasileiro. Seu surgimento ocorreu aproximadamente durante o século XVIII no estado de Pernambuco durante o período colonial quando ainda persistiam os movimentos escravocratas de africanos em território brasileiro, assim como também de seus descendentes. Esse movimento envolve música, dança e história. Conta com figurinos que remetem à cultura africana além das influências indígenas e portuguesa. Desde 2018 foi instituído no dia 1º de Agosto como o dia nacional do Maracatu. Essa data já é celebrada em Pernambuco desde 1997, que remete e homenageia o nascimento do Mestre Luiz de França, que comandou o MARACATU LEÃO COROADO por 40 anos.
O Maracatu pernambucano possui dois tipos de celebração. Desses há o Maracatu nação e o Maracatu Rural, ambos com características próprias, que diferem tanto nos personagens, quanto na estética e musicalidade. Vamos conhecê-los?
O maracatu rural é celebrado durante o carnaval e o período de páscoa. Também conhecido como Maracatu de Baque Solto – tem como personagem central o Caboclo de Lança. As primeiras brincadeiras aconteciam em engenhos, tocadas por trabalhadores rurais no final do século XIX. A tradição é forte por toda Zona da Mata Norte do estado e configura-se numa fusão de diversos folguedos populares das áreas canavieiras no interior pernambucano como o Pastoril, o Bumba-Meu-Boi e o Reisado. Nas apresentações, o instrumental da brincadeira é comandado pelo mestre que entoa loas, sambas e galope acompanhados do terno (orquestras de sopro e percussão).
O maracatu nação, também conhecido como Maracatu de Baque Virado é composta por grupos musicais percussivos que se concentram nas comunidades de bairros periféricos da cidade do Recife. Os conjuntos apresentam-se um cortejo real, em trajes de seda, veludos, bordados e com pedrarias, que desfilam nas ruas evocando as antigas coroações de reis e rainhas do Congo africano. A celebração faz parte dos festejos carnavalescos. À frente do cortejo vem o Porta-Estandarte e logo atrás segue a Dama do Paço, que conduz a Calunga – uma protetora ligada ao Candomblé, religião de origem africana. Já a orquestra é composta de caixas, taróis, gonguês e alfaias (tambores confeccionados com madeira), conforme fontes do Governo do Estado de Pernambuco juntamente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Vocês sabiam que aqui em Itapetininga existe um grupo que propaga o maracatu pela cidade? Sim! Refiro-me ao grupo Gunga da Terra que desde 2014 promove esse intercâmbio cultural na cidade. O seu estilo de maracatu é o de Baque Virado, como pudemos notar no parágrafo anterior é o do estilo nação. Promovem na cidade desde então oficinas para interessados nessa cultura e musicalidade, aprender e dedicar-se ao ritmo contagiante. Estão localizados no Jardim Paulista, próximo a rodoviária e ensaiam em sua sede ou nas diversas praças espalhadas por aqui. Nos dias 23/04 e 25/04 houve uma oficina junto com o batuqueiro recifense Luiz Água (Batuqueiro da Nação Porto Rico). Foi muito rica a experiência. Estive presente no dia 23/04. Faziam 25 anos que eu estava longe dos batuques. Em minha adolescência eu participava de aulas de ritmos junto ao Clube da Turma no extremo sul de São Paulo com musicalização voltada ao samba, carnaval e afins com devidas malacaxetas, tamborins, bumbos e surdos. Meu retorno à percussão me deixou muito feliz, mesmo estando enferrujado. Com o tempo as ferrugens são tratadas e removidas! Então se você curte batuque e reside em Itapetininga, não deixe para depois. Entre em contato com o pessoal do Gunga da Terra e seja feliz. Acompanhe no instagram as atualizações e novas oficinas que o grupo venha disponibilizar.
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Endereço: Rua Acácio de Moraes Terra 282 – Jardim Paulista – Itapetininga/SP