Olá estimados (as), não é novidade que o ambiente noturno (as vezes diurnos) são cíclicos e muitas vezes deixam legados em nossas vidas e em determinadas camadas da sociedade através de suas propostas artísticas e culturais. Observamos, principalmente no período pós pandêmico a inexistência de continuídades de sonhos, projetos e propostas… Na década passada no Brasil também houve esse movimento. Ambos possuem forte ligação a situação econômica do país, que naquela época estava em pré recessão e vivenciou a mesma, e atualmente junto a dificuldades econômicas encontram-se também uma crise já anunciada de segurança pública que se arrasta por décadas de inércias e acordos de quem detém o poder… Enquanto isso artistas são calados, o público fica a mercê de uma pobreza qualitativa cada vez maior e enquanto isso ficamos exilados através das adaptações impostas pelo sistema. Empregos se vão, sonhos tornam-se pesadelos e ficamos amordaçados e cada vez mais neuróticos à base de estimulantes como válvula de escape da inércia e passividade de uma realidade manipulada.
Debate-se sobre como a cena noturna irá sobreviver. Isso não apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Sorocaba ou Itapetininga. Ocorrem também em Nova Iorque, Londres, Berlim, Los Angeles, Tóquio e demais cidades em torno do globo. As décadas de 1950 e 1960 foram progressistas, seguindo pelas dançantes décadas de 1970 e 1980, as atitudes das décadas de 1990 e 2000 e por fim as monótonas décadas de 2010 e 2020. As novas gerações não foram preparadas para seguir esse legado. Quem ainda mantém as cenas existentes vivas, seja o Samba, Hip Hop, Eletrônico, Reggae, Rock, Forró e etc é a geração a partir dos 30 anos. Elas ainda consomem e estão presentes nos coletivos, undergrounds e casas consolidadas que ainda resistem a esse movimento de descontinuação. Enxergamos que mesmo os festivais que foram desenvolvidos com muita luta e que foi marginalizado e tratado à base da clandestinidade até o início da década de 2010, conseguiu a sua ascensão porém já encontra desafios a serem superados não devido ao público mas orçamentos e valores de ingressos cada vez mais altos, excluindo muitos de terem acesso a novos sons audíveis e criativos. A contra partida desse cenários são muitas vezes editais públicos acompanhados de sua burocracia habitual, verbas liberadas e público ausente… A maior ofensa para um artista ocorre quando apresenta-se à moscas, mesmo com seu bolso cheio de dinheiro público em decorrência a aprovação de sua proposta cultural. Os incentivos culturais são importantes porém é necessário saber envolver o público e levar uma proposta interessante para assim esses recursos que são oriundos dos nossos impostos sejam melhores utilizados. A empresa ao qual sou diretor, a AS8 Consultoria, que também abrange a AS8 Comunicação e Artes já participou de edital para um evento no Vale do Anhangabaú no centro histórico de São Paulo no ano de 2023. O pagamento dessa prestação de serviço ocorreu no começo de 2024 após alguns desgastes desnecessários e omissão por parte da empresa que estava responsável em desenvolver o evento. Em relação ao certame não houve uma divulgação decente e com isso alguns transeuntes acompanharam a apresentação artística de 02 djs que disponibilizei à eles, sendo que a responsabilidade master de divulgação eram deles… Enfim, o serviço foi pago mas artísticamente houve uma frustração nessa apresentação devido uma logística, administração e comunicação deficitária.
Novas tendências, como mencionei são os festivais, as cafeterias e os sunset parties e after hours parties (Esses dois últimos já escrevi sobre o assunto aqui na coluna e não são algo novo porém houve um crescimento exponencial desde a última década até agora). Enxergamos cada vez mais estabelecimento fechando as portas ou adaptando-se em novos formatos para poderem sobreviver e muitas vezes nem isso é capaz de mitigar a descontinuação de atividades. Onde está o problema? as vezes na burocracia em obter alvarás, outras vezes na corrupção em pagar um café ao agente público da prefeitura para a liberação do espaço (as vezes pela inadequação do recinto ou ás vezes pela pratica viciante de alguns agentes em garantir suas “comissões”) e muitas pela aventura em propor algo sem segurança, burlando imposições estatais mas entregando o êxtase a seus clientes. Quando descobertos comportam-se como nômades, criando de forma itinerante e cada vez mais afastados dos grandes centros novos eventos com produtos sendo comercializados com valores inflacionados em decorrência do monopólio impossível de combater mas presente e aceitável, afinal ninguém é obrigado a nada. Quem aceita esse cenário está ciente disso e não adiante ficar reclamando depois.
Em grandes centros ainda há opções… Os habitantes de cidades do interior são os que mais sofrem com isso. São submetidos a monoculturas. Mesmo quando tenta-se furar a bolha são incompreendidos. Nesses casos o trabalho publicitário precisa ser forte para pelo menos haver o custeio dos investimentos e uma pequena margem de lucro, caso contrário estar no negativo ou apenas pagar os investimentos feitos não é algo estimulante! Os municípios de médio porte ainda conseguem se sobressair mas os menores enxergam uma economia noturna estagnada… E pouco criativa!



