Por: Celso Cristiano
Pensar a saúde mental é, também, abrir espaço para questionar as estruturas que nos atravessam e, muitas vezes, nos adoecem. Nem sempre aquilo que se organiza ao nosso redor favorece o equilíbrio psíquico. Desempenhamos papéis sociais desafiadores que, não raras vezes, nos empurram para o adoecimento emocional.
Responder às constantes convocações sociais exige habilidades emocionais importantes. Ainda assim, essas habilidades se tornam insuficientes quando as exigências impostas são maiores do que os recursos que conseguimos desenvolver ou sustentar. A estrutura familiar, o ambiente de trabalho, as plataformas digitais e até nossas próprias demandas interiores podem se transformar em espaços de adoecimento quando não acompanham, de forma ética e humana, o ritmo das cobranças que nos são impostas.
Nenhuma estrutura deveria ser maior do que a capacidade do sujeito. Quando não são reguladas para favorecer tanto o indivíduo quanto o coletivo, essas organizações passam a produzir sofrimento, configurando o que chamamos de padecimento social. Quando as demandas se tornam maiores do que aquilo que conseguimos suportar, o corpo e a mente começam a sinalizar. O cansaço constante, a ansiedade, a irritação e o desânimo não podem ser resumidos apenas em momentos de fraquezas, mas devem ser acolhidos também como pedidos de cuidado. Identificar os espaços que nos adoecem requer um treinamento do nosso olhar para reconhecer os lugares que nos oprimem; perceber o ponto de padecimento é necessário para pensarmos sobre possibilidades de mudança.
Diante disso, o que fazer? Talvez o primeiro passo seja reconhecer-se como alguém que possui limites psicológicos e físicos. Compreender esses limites é um gesto de cuidado. Selecionar, entre tantas exigências, aquilo que realmente nos cabe é oferecer à própria saúde mental a possibilidade de se preservar, ou quando necessário, de se restabelecer.