A Meia Maratona Internacional das Três Fronteiras reuniu 4.500 atletas no dia 12 de outubro em um percurso que atravessou Paraguai, Brasil e Argentina. Entre os participantes estavam a profissional de esporte de Itapetininga, Maria Elena Vasconcellos, e o filho, Gabriel Vasconcellos, que concluíram a prova em meio a forte chuva e mudanças bruscas de clima.
A corrida teve largada em Ciudad del Este (Paraguai), seguiu por Foz do Iguaçu (Brasil) e terminou em Puerto Iguazú (Argentina), com chegada nas proximidades do Marco das Três Fronteiras. Segundo Maria Elena, esta foi sua primeira participação na prova, cuja inscrição abriu no início do ano e esgotou em 13 dias.
De acordo com a atleta, a instabilidade climática marcou toda a competição. “Só não esperávamos que fosse chover. A organização comparou a chuva a um ciclone extratropical. Enfrentamos poças, trovões, raios e ventania”, relatou. Ela completou a corrida em 2h50, em um trajeto que chegou a 22,2 quilômetros. Gabriel concluiu em 1h37.
Preparo para a prova
Maria Elena explicou que a preparação é determinante para enfrentar os 21 quilômetros do percurso. Ela destacou a necessidade de treinos regulares, alimentação adequada e planejamento prévio.
“A pessoa precisa de pelo menos quatro meses de treino. Não dá para correr em jejum. Nesta prova, acordamos às 3h para pegar o translado até o Paraguai e alinhar alimentação, controle emocional e suplementação”, afirmou.
Percurso sob chuva e dificuldades
Antes da largada, a energia elétrica caiu no local. No momento do início da prova, a região enfrentava alagamentos e falta de visibilidade. “Ninguém desistiu. A chuva aumentou e seguimos juntos. Saímos por ruas alagadas, com buracos, e os atletas se ajudaram”, contou.
Ao cruzarem a Ponte da Amizade, a chuva diminuiu por alguns minutos, mas voltou a cair com força em Foz do Iguaçu. No trecho argentino, os corredores dividiram espaço com carros e motos devido à abertura da fronteira. “Corremos pelo acostamento e compartilhamos o trajeto com os veículos por alguns quilômetros”, disse.
O percurso também apresentou trechos de altimetria. Maria Elena descreveu subidas e descidas seguidas, exigindo atenção constante. “Eu corro para me divertir, não para me machucar. Na descida, se você não controla, pode cair”, explicou.
Relatos do trajeto
Mesmo com o ritmo intenso, conversas pontuais ocorreram entre os participantes. Maria Elena mencionou um argentino de 71 anos que conheceu antes da largada e um casal encontrado na Avenida das Cataratas, já no caminho para a Argentina. “Acabei fazendo parte do percurso com eles. A corrida tem dessas coincidências”, relatou.
Reflexão e significado
Durante a prova, Maria Elena lembrou de uma frase lida anteriormente: “Correr é rezar com o corpo”. Para ela, a corrida proporciona reflexão e avaliação pessoal. “É um momento seu. Um momento de pensar no que deu certo ou não. Uma sensação de superação”, afirmou.
Trajetória no esporte
Maria Elena começou no basquete e integrou a seleção treinada por Nereu Marcondes. Ao longo da carreira, atuou com modalidades aquáticas e se especializou em treinamento esportivo. O interesse pela corrida surgiu após a morte da irmã. “Ou você ama ou você odeia. Eu amei. Comecei a correr e não parei”, disse.
Para ela, a prática esportiva representa rotina e constância. “Disciplina é fundamental. Caminhe, tenha um momento seu. Esporte é vida”, concluiu.





