Ensinar é aprender duas vezes

Aprender e ensinar são processos profundamente interligados, algo que muitos de nós já ouvimos dos mais antigos, especialmente de avós que, com sabedoria, afirmavam que aprendemos melhor quando ensinamos. Essa ideia se sustenta na prática: ensinar é, de fato, aprender duas vezes. Isso acontece porque, ao ensinar, somos obrigados a organizar o pensamento, aprofundar conceitos e comunicar ideias com clareza, o que exige um nível mais elaborado de compreensão.

A atividade docente, portanto, não se limita apenas ao professor em sala de aula. Sempre que alguém seja um pai, uma mãe, um gestor ou qualquer pessoa em um contexto social assume a postura de ensinar, também se coloca na posição de aprendiz. Nesse sentido, todos nós transitamos continuamente entre sermos docentes e discentes, pois a aprendizagem é um movimento constante da vida.

Ensinar alguém não deve ser visto como um peso, mas como uma oportunidade privilegiada de crescimento. Ao compartilhar o que sabemos, fortalecemos nosso próprio conhecimento e ampliamos nossa capacidade de reflexão. Além disso, o ato de ensinar nos revela, com honestidade, o quanto realmente dominamos determinado assunto, pois quem ensina bem, necessariamente, aprendeu bem. Quando há dificuldade em ensinar, muitas vezes isso indica lacunas na própria aprendizagem.

Nesse percurso, o erro ocupa um papel fundamental. Diferente do que muitas práticas tradicionais sugerem, o erro não deve ser punido, mas corrigido. O que merece atenção e, eventualmente, reprovação, são atitudes como negligência, desatenção e descuido. Errar faz parte do processo de construção do conhecimento, da tentativa de inovar e de fazer melhor. Afinal, ninguém é imune ao erro.

A clássica expressão “errar é humano” não serve como justificativa para a falha, mas como reconhecimento de nossa condição. No entanto, é na correção do erro que reside o verdadeiro aprendizado. Não aprendemos com o erro em si, mas com a reflexão e a transformação que fazemos a partir dele. Se aprendêssemos apenas errando, bastaria repetir equívocos indefinidamente (o que não faz sentido), especialmente considerando que alguns erros podem ter consequências graves.

Historicamente, muitas vezes valorizamos mais o erro do que o acerto, como quando, na escola, o erro era destacado em vermelho e o acerto quase invisível. Essa lógica reforça uma visão punitiva que precisa ser revista. É necessário reconhecer o erro como parte do processo, sem glorificá-lo, mas também sem negá-lo.

Nesse contexto, a reflexão atribuída a Albert Einstein¹ se torna bastante pertinente: “Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes.” Essa ideia nos convida a compreender que aprender, ensinar e corrigir fazem parte de um ciclo contínuo de aprimoramento.

Assim, ensinar, aprender e errar se entrelaçam em um mesmo processo: o de se tornar melhor a cada dia. Quando nos abrimos para ensinar, nos permitimos aprender com mais profundidade; quando aceitamos o erro como parte do caminho, nos damos a chance de evoluir; e quando buscamos fazer diferente, nos aproximamos de resultados mais significativos.

Gabriel Montenegro, professor e psicólogo.

¹Albert Einstein (1879-1955): foi um físico e matemático alemão. Entrou para o rol dos maiores gênios da humanidade ao desenvolver a Teoria da Relatividade

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