No último final de semana, encarei mais um desafio dentro de uma meta ousada que tracei para 2026: completar uma maratona ou ultramaratona por mês. Desta vez, foram 55 quilômetros de trail run, em Botucatu, em uma prova organizada pela GBC que, com toda sinceridade, eleva o padrão.
Botucatu, por si só, já impõe respeito. Uma cidade linda, cercada por natureza, com um terreno que exige do atleta não só preparo físico, mas principalmente cabeça forte. E talvez seja justamente esse ambiente que transforme tudo.
A prova foi dura, como uma ultra tem que ser. Mas também foi justa. E aqui fica um ponto que precisa ser destacado: organização impecável. Pontos de hidratação completos, com água, frutas, refrigerante e uma estrutura pensada no atleta do início ao fim. Esse tipo de cuidado não é detalhe, é o que constrói o respeito de uma prova dentro do cenário esportivo.
Mas existe algo ainda maior que a estrutura, que é o ambiente humano. É aqui que o trail run se diferencia.
Sem romantizar demais, mas já sendo bem direto: a galera do trail é, sim, diferente. Mais leve, mais acessível, mais empática. Não é que no asfalto não existam pessoas incríveis. existem muitas, e seria injusto dizer o contrário. Mas no trail… parece que a régua muda.
Talvez seja a montanha.
Talvez seja o silêncio da natureza.
Talvez seja o fato de que, ali, ninguém está realmente competindo contra o outro, está lutando contra si mesmo.
No trail, você vê atleta esperando o outro, incentivando desconhecido, dividindo água, trocando ideia no meio da prova como se fossem amigos de anos. Existe uma irmandade não verbalizada, mas completamente sentida.
No asfalto, muitas vezes, o relógio fala mais alto. O pace domina. A performance vira prioridade. E está tudo certo, são propostas diferentes. Mas no trail… o humano vem antes.
E isso precisa ser dito.
Cruzar a linha de chegada em Botucatu não foi só completar mais uma prova. Foi consolidar mais um passo dentro de uma jornada maior. Hoje, posso dizer com orgulho: sou ultramaratonista.
Mas nenhuma conquista é individual.
Carrego comigo minhas filhas minha maior motivação diária.
Meu pai, minha base.
Minha mãe, minha força.
E, claro, meus patrocinadores. Mais do que apoio financeiro, são parceiros que acreditam no propósito: levar o esporte para mais pessoas, inspirar, mostrar que é possível sair do zero, sair da dúvida, sair de momentos difíceis, e construir algo através do movimento.
É sobre constância, é sobre provar, todos os dias, que limites são muito mais mentais do que físicos.
Seguimos.
Porque em 15 dias tem mais um capítulo, a Maratona de Piracicaba.
E a jornada… está só começando.



