O texto da coluna de hoje se configura de maneira mias técnica, atendendo uma demanda vista a partir do meu trabalho de campo nas visitas escolares na cidade de Itapetininga, considero que nossa cidade, (assim como outras tantas) tem uma dificuldade em compreender os cenários para a compreensão de altas habilidades e/ou superdotação, tornando o tema distante dos cenários das políticas públicas e para a formação do profissional que busca maior conhecimento sobre esse tema. Ainda existem poucos profissionais capazes ou interessados por esse assunto, tornando assim o tema muito técnico. Nesse contexto, identificar altas habilidades e superdotação (AH/SD) ainda é um grande desafio dentro do cenário educacional e clínico. A avaliação neuropsicológica (ANP), por sua abrangência e profundidade, apresenta-se como ferramenta fundamental para compreender melhor indivíduos com essas características. A ANP não se limita à aplicação de testes padronizados; trata-se de um processo complexo que envolve a análise detalhada das habilidades cognitivas, emocionais e sociais do indivíduo, considerando ainda sua história de vida e condições ambientais. Este processo ajuda a esclarecer o funcionamento global da pessoa, apontando não só suas forças, mas também eventuais fragilidades que podem interferir diretamente na manifestação das suas altas habilidades. Muitas vezes, pessoas com superdotação possuem características que vão além de uma simples medida numérica de inteligência, como a criatividade excepcional, liderança, habilidades em áreas específicas como música ou esporte, ou ainda apresentam quadros de dupla excepcionalidade, como o TDAH ou o autismo. Uma avaliação que se baseie apenas em critérios rígidos, como um valor isolado de QI, pode falhar em reconhecer esse amplo espectro de características. Estudos apontam que crianças superdotadas frequentemente possuem discrepâncias significativas entre suas habilidades verbais e perceptuais em comparação com memória de trabalho e velocidade de processamento. Tais diferenças podem levar a avaliações incorretas se não forem consideradas por profissionais capacitados. Além disso, fatores ambientais, emocionais e metodológicos durante a avaliação podem impactar diretamente nos resultados. Por isso, é essencial que os profissionais envolvidos na ANP sejam altamente treinados e estejam cientes das nuances específicas dos perfis cognitivos de pessoas com AH/SD. Compreender profundamente esses perfis permite intervenções educacionais e clínicas mais assertivas, ajudando a promover a qualidade de vida e o bem-estar desses indivíduos e suas famílias. Portanto, investir em avaliações neuropsicológicas robustas e bem estruturadas é crucial para que altas habilidades sejam identificadas corretamente, garantindo que o potencial desses indivíduos seja plenamente compreendido e valorizado.