Pode parecer uma frase simples, mas quanto mais vivo o esporte, mais percebo o quanto ela é verdadeira.
Nos acostumamos a acordar cedo. Nos acostumamos a correr, pedalar, nadar, caminhar. Nos acostumamos a enfrentar chuva, frio, calor e cansaço. O que um dia pareceu impossível, aos poucos passa a fazer parte da rotina.
Mas existe algo que muitas pessoas não percebem.
Da mesma forma que o corpo se acostuma ao movimento, ele também se acostuma à falta dele. O corpo se adapta ao que fazemos repetidamente.
Se nos movimentamos todos os dias, ele passa a pedir movimento. Se passamos os dias parados, ele passa a pedir conforto.
Se treinamos regularmente, sentimos falta do treino. Se passamos horas no sofá, sentimos falta do sofá.
Por isso, muitas vezes a diferença entre uma pessoa ativa e uma sedentária não está na motivação. Está nos hábitos construídos ao longo do tempo.
Recentemente, conversando com a dona do jornal panorâmico , ela me contou algo muito interessante.
Juliana me disse que, durante muitos anos, seus hobbies eram ficar em casa lendo livros e assistindo séries. Por nada ela trocaria aquele conforto para sair e fazer atividade física.
Mas ela decidiu começar, no início foi difícil, como acontece com quase todo mundo.
Só que o tempo passou, o hábito foi criado e algo mudou.
Hoje ela sente falta da atividade física da mesma forma que antes sentia falta dos livros e das séries.
Aquilo que parecia um sacrifício virou necessidade.
E foi aí que percebi como essa mudança acontece com tantas pessoas.
Ninguém precisa abandonar os livros.
Ninguém precisa abandonar as séries.
Eu mesmo gosto de momentos de descanso.
O problema nunca foi descansar, o problema é quando o conforto se torna uma prisão.
Quando começamos a acreditar que ficar parado é sempre a melhor opção.
Quando o sofá passa a decidir por nós.
O exercício físico tem uma característica única.
Ele exige esforço para começar, mas recompensa quem persiste.
No início parece desconfortável, porém depois se torna prazeroso, e em muitos casos, passa a ser indispensável.
Quantas vezes você já ouviu alguém dizer:
“Hoje não consegui treinar e senti que faltou alguma coisa no meu dia.”
Isso acontece porque o corpo aprendeu.
A mente aprendeu.
O organismo inteiro aprendeu que aquele movimento faz bem.
Mas existe um benefício ainda maior.
Algo que não aparece na balança, no relógio esportivo ou nas redes sociais.
O exercício nos aproxima de nós mesmos. Vivemos em uma época em que as pessoas têm medo do silêncio.
Medo de ficar sozinhas.
Medo de olhar para dentro.
Sempre existe uma tela ligada, uma notificação chegando ou uma distração qualquer.
Durante uma corrida, um pedal ou uma caminhada, muitas vezes sobra apenas você.
Você e seus pensamentos.
Você e suas dúvidas.
Você e seus sonhos.
E é justamente nesses momentos que muitas respostas aparecem.
É quando organizamos ideias.
Quando refletimos sobre a vida.
Quando encontramos soluções para problemas que pareciam sem saída.
Quando entendemos melhor quem somos.
O esporte me ensinou algo valioso:
Nossa melhor companhia precisa ser nós mesmos.
Porque amigos vão embora, relacionamentos podem acabar, os filhos crescem, as circunstâncias mudam.
Mas você continuará convivendo consigo mesmo todos os dias da sua vida.
Quem aprende a gostar da própria companhia encontra uma liberdade que poucas pessoas experimentam.
Não depende dos outros para ser feliz.
Não depende dos outros para ter paz.
Não depende dos outros para encontrar motivação.
Aprende a caminhar sozinho quando necessário.
E a valorizar as pessoas quando elas estão por perto.
Talvez por isso eu acredite tanto na atividade física.
Não apenas pelos benefícios para o coração, para os músculos ou para a saúde.
Mas porque ela transforma a forma como enxergamos a nós mesmos.
O corpo sempre vai se adaptar ao que você oferece a ele.
Se oferecer movimento, ele pedirá movimento.
Se oferecer conforto em excesso, ele pedirá mais conforto.
A escolha é diária.
E não precisa começar com uma maratona, um Ironman ou um grande desafio.
Pode começar com uma caminhada, com alguns minutos de atividade, com uma decisão simples.
Não é o corpo que define nossos hábitos. São nossos hábitos que definem o corpo, a mente e a vida que teremos no futuro.