O processo de Amadurecimento do cinema brasileiro

O cinema nacional por décadas foi criticado e desacreditado por hoje quem o aplaude! Isso no próprio solo brasileiro onde o público renega suas produções, salvo algumas exceções… A luta foi árdua com fracassos e o quase êxito em 1999 com o clássico e brilhante “Central do Brasil”. Desde Mazaropi à Glauber Rocha, passando por co produções multinacionais, dentre elas Orfeu Negro, o Beijo da mulher Aranha e Diários de Motocicleta. Certas derrotas são vitórias no médio e longo prazo e o cinema brasileiro prova isso com suas últimas conquistas.

Não existe apenas o Oscar. O Globo de Ouro, BAFTA do Reino Unido, Palma de Ouro de Cannes na França, Urso de Ouro em Berlim na Alemanha, Leão de Ouro de Veneza na Itália e o próprio Kikito em Gramado no Brasil são premiações importantes que o cinema brasileiro em algumas oportunidades já ganhou. Enquanto o público renega os trabalho que refletem na bilheteria, o mesmo optando em consumir na maioria das vezes produções estadunidenses de orçamentos bilionários, por aqui tira-se “leite de pedra” e recorre-se a incentivos privados e estatais, assim como ocorre em diversas partes do mundo para driblar as limitações e conquistar espaços outrora distantes mas atualmente próxima, conquistada através de muitas lutas, suor e “mergulhos profundos” nas artes cênicas!

Muitos reclamam de obras enviesadas. Nas artes e meios de comunicação isso é recorrente. É necessário separarmos profissionais de suas e nossas ideologias políticas pois assim conseguimos com coerência aplaudir bons trabalhos. A polarização aliena e domestica indivíduos que acham-se superiores e esclarecidos mas externam suas limitações e fraquezas…

Parabéns a indústria cinematográfica brasileira e os incentivos culturais promovidos em diversas obras. Ganha-se a sociedade e cultura nacional com a valorização. Nesta década após o período pandêmico houve um crescimento atenuante de um reposicionamento cultural e midiático voltados à América Latina (Brasil e México com larga escala), África (Com predomínios de África do Sul, África Magrebina – Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito e algumas nações pertencentes à África do Oeste como Gana, Nigéria, Camarões, Senegal, Mali e Benim) e Oriente Médio asiático como novos polos culturais, isso em decorrência da “desaceleração” da filosofia do dinamismo, muito forte no século XX e encontra desgastes nos tradicionais modelos europeu e estadunidense, por isso enxerga-se algumas mudanças nos últimos anos e ascensão do “underground mundial”.

Com essa observação acredito que “O agente secreto” seja vitorioso no BAFTA e no OSCAR de 2026. Há chances de Wagner Moura também levar a estatueta, considerando a mudança de integrantes e respectivos perfis dos pertencentes à academia cinematográfica de Hollywood que votam na premiação em paralelo esse redirecionamento cultural em curso que mencionei há pouco. Além do filme de Kléber Mendonça Filho o Brasil também tem chances com o documentário “Apocalipse nos Trópicos” da cineasta Petra Costa. Esse corre por fora mas hoje podemos afirmar que é possível vencer, levando em consideração o legado de Walter Salles e Fernanda Torres e o “Eu ainda estou aqui”.

O Brasil do Oscar, Grammy e Emmy contrasta com as realidades impostas no cotidiano porém utiliza-se destas para expor talentos e ter reconhecimento internacional. O amadurecimento aconteceu, resta aproveitar oportunidades disso em diversas frentes e usar os fracassos do passado como exemplos a serem transformados em êxito e referência.

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