Na coluna passada expliquei as diferenças entre os tênis de asfalto, trail e híbridos. Agora chegou a hora de contar como esses modelos se comportaram na prática.
Tudo começou em dezembro de 2025, na Maratona de Americana.
Foi ali que surgiu a ideia de encarar um desafio ousado: completar uma maratona ou ultramaratona por mês durante todo o ano de 2026.
Cada prova trouxe um terreno diferente, uma estratégia diferente e, muitas vezes, um tênis diferente. Ao longo dessa série vou compartilhar minha experiência pessoal com cada modelo, sempre baseada no que vivi dentro das competições.
New Balance Fresh Foam X Balos
Maratona de Americana – Dezembro de 2025
A Maratona de Americana marcou o início dessa jornada.
Na época eu ainda carregava cerca de 13 quilos a mais do que hoje, então precisava de um tênis extremamente confortável para suportar os longos treinos e os 42 quilômetros da prova.
O Balos foi, sem dúvida, o tênis que mais utilizei naquele período e, na minha opinião, o melhor modelo da New Balance que já passou pelos meus pés.
O amortecimento, o conforto e a estabilidade fizeram dele um companheiro excepcional. Não por acaso, era um tênis que chegava às lojas e rapidamente esgotava.
Depois da prova de Americana, decidi aposentá-lo das competições e o vendi, encerrando sua história comigo da melhor forma possível.
Hoka Rincon 3
Maratona de Ribeirão Preto – Janeiro de 2026
O primeiro desafio de 2026 foi a Maratona de Ribeirão Preto.
Para essa prova escolhi o Hoka Rincon 3.
O que mais chama atenção nele é a leveza. Foi o tênis mais leve que já utilizei.
É um modelo rápido e muito eficiente. Porém, para o meu perfil, senti uma batida mais seca do que gosto em corridas longas. Não chega a ser desconfortável, mas prefiro tênis com um amortecimento mais macio.
Depois da maratona, vendi o Rincon 3 para um corredor mais leve e mais veloz, que certamente conseguiria aproveitar ainda mais as características desse modelo.
Hoka Tecton X 3
Brotas (42 km), Serra da Cantareira (42 km), Botucatu (55 km) e Boituva (42 km) – Fevereiro, Março, Abril e Junho de 2026
Quando começaram as provas de trail running, entrei em um universo completamente diferente.
Minha escolha foi o Hoka Tecton X 3, um tênis desenvolvido para enfrentar trilhas técnicas e longas distâncias.
Logo de cara, ele chama atenção pelo visual, mas foi durante as provas que realmente mostrou a que veio.
O modelo utiliza duas placas paralelas de carbono, permitindo que o tênis trabalhe melhor em terrenos irregulares, acompanhando o movimento natural dos pés sobre pedras, raízes, lama e desníveis. Soma-se a isso um excelente grip, muita estabilidade e um nível de conforto que me surpreendeu desde o primeiro quilômetro.
Foi amor à primeira trilha.
Estreei o Tecton X 3 nos 42 quilômetros de Brotas, continuei confiando nele nos 42 quilômetros da Serra da Cantareira, encarei os 55 quilômetros de Botucatu e, meses depois, voltei a escolhê-lo para mais 42 quilômetros em Boituva, totalizando quatro grandes desafios com o mesmo modelo.
Isso, por si só, já diz muito sobre a confiança que passei a ter nesse tênis.
Até hoje ele continua sendo uma das minhas principais escolhas para provas de trail running e ultramaratonas. Na minha experiência, reúne exatamente o que procuro nesse tipo de terreno: segurança, estabilidade, conforto e desempenho, permitindo que eu me preocupe apenas em correr.
Conclusão
Cada prova deixa uma lembrança. Cada tênis também.
Ao longo dessa jornada percebi que não existe um modelo perfeito para todas as situações. Existe aquele que combina com o seu objetivo, com o terreno, com a distância e com o perfil de cada corredor.
Foi exatamente isso que vivi até aqui: um tênis para o asfalto, outro para buscar leveza e velocidade, e outro para enfrentar montanhas, pedras, lama e longas horas de trilha.
Mais importante do que escolher a marca é entender a proposta de cada modelo e saber quando utilizá-lo.
Na próxima semana, vou contar minha experiência com os tênis que me acompanharam na Maratona de Piracicaba e na São Paulo City Marathon, duas provas de asfalto, mas com propostas completamente diferentes e realizadas com modelos diferentes.
Até lá, bons treinos, boas escolhas e, acima de tudo, boas corridas! 🏃♂️


