Neste domingo, nossa Itapetininga foi palco de um momento histórico para o esporte local, a primeira edição da Meia-Maratona das Três Escolas. Uma prova que estreou com força, organização e um clima de celebração que ficará marcado na memória de todos que participaram correndo, trabalhando ou incentivando.
Dessa vez, eu não corri. Estou em fase de preparação final para o Ironman, e cada detalhe do treino e da recuperação conta. Mas fiz questão de estar presente, acompanhar de perto, aplaudir, incentivar. Porque o esporte é isso, presença, energia e comunidade.
A organização da Prefeitura merece aplausos. A largada foi pontual, sem atrasos, demonstrando respeito pelo atleta.
O percurso? Desafiador. Quem correu sabe o que enfrentou. Mas foi bonito de ver tanta gente estreando nos 21 km, cruzando a linha de chegada como meio-maratonista pela primeira vez. Isso é o que realmente importa, ver pessoas se superando, vencendo o próprio limite, fazendo da corrida uma ponte para uma vida melhor.
Outro ponto que me marcou foi a união entre os grupos de corrida, assessorias esportivas e equipes da cidade e da região. Diversas tendas foram montadas, com muita troca, incentivo e apoio mútuo. E foi bonito de ver também a presença da tenda do grupo Tritape, com a galera do triathlon local marcando presença e prestigiando esse momento tão importante para o esporte da cidade.
Foi um verdadeiro encontro de pessoas que vivem o esporte. Sorrisos, abraços, reencontros. Muita gente que, até então, eu só conhecia pela internet, tive o imenso prazer de abraçar pessoalmente, sendo antes da largada ou na emoção da chegada.
Isso é o mais importante, a socialização. A consciência de que, mais do que pódios ou recordes pessoais, o que realmente fica é o respeito mútuo, o bom dia sincero, o cumprimento que aproxima. Nem todos fazem isso cada um com seus motivos, que não cabe a nós julgar, mas ver tanta gente conectada, celebrando a vida através do esporte, é algo que precisa ser valorizado.
E por falar em respeito, é preciso fazer um alerta. Muitas pessoas chegaram atrasadas à prova, algumas, com 30 até 50 minutos de atraso. Claro, imprevistos acontecem, a vida é assim, porém quando há esse nível de atraso, o problema vai além do individual, pois ele afeta toda a estrutura de um evento. Uma meia-maratona exige a mobilização de uma cidade inteira. São agentes de trânsito, servidores, voluntários, vias interditadas, um planejamento sério.
Chegar no horário não é apenas uma questão de disciplina com o seu treino. É um gesto de respeito com os demais atletas, com os profissionais que estão ali trabalhando no domingo, e com o trânsito da sua cidade. É fundamental que os atletas entendam isso. Estar presente antes da largada, aquecer com calma, alinhar no horário certo, isso também faz parte da corrida.
Que essa linda festa sirva de exemplo para todos e que nas próximas provas estejamos ainda mais comprometidos não só com nossos tempos, mas com o coletivo. Porque o verdadeiro espírito esportivo se constrói com respeito, empatia e presença.
E por fim, uma última reflexão, mas não menos importante:
É preciso falar sobre educação e respeito mútuo. Em qualquer prova, seja de 5 km ou de 42 km, dar um “bom dia”, cumprimentar quem está ao seu lado no aquecimento ou alinhado para largar, é o mínimo que se espera de qualquer ser humano. Não importa a classe social, a cor da camiseta, a raça ou o credo. Educação vem de casa.
Não estamos falando de amizade ou intimidade, mas de gentileza, empatia, conexão. A corrida é um esporte que nos iguala no esforço, na dor, na conquista. Então, por que não sorrir para quem está ao seu lado? Por que não desejar uma boa prova, mesmo a quem você não conhece?
Um “bom dia” não tira pedaço. Muito pelo contrário, espalha energia boa, alivia a tensão, aproxima as pessoas e transforma o clima de uma largada.
Fica aqui esse recado direto e sincero: se você corre, mas não sorri, não cumprimenta, não deseja o bem, TÁ CORRENDO ERRADO.
Porque o verdadeiro campeão, antes de cruzar qualquer linha de chegada, sabe ser campeão no respeito.


