Esse assunto é muito amplo e pode haver divergências porém vivemos no século XXI, década de 2020 e aquilo que foi exportado e apreciado no século XX com iniciação na década de 1960 surgido de movimentos contra cultura e oposição a situação política e social à época hoje ainda é cultuado, consumido e possui sua autenticidade e beleza, tornando-se um patrimônio atemporal do país, mesmo com as adaptações que eventualmente ocorrem e “atualizações” que ocorreram nas décadas seguintes, como nas seguintes de 1970, 1980 e 1990. Com a virada de século e milênio muita coisa mudou gradativamente e nem sempre esse movimento acompanhou princípios artísticos qualitativos mas quantitativos que refletem a atual condição da sociedade, ou seja, ansiedade, imediatismo, busca pelo dinheiro sem propósito e outras coisas que já conhecemos. Portanto como se apresenta a nova MPB?
Não é correto mas na prática hoje ela é dividida por Erudita, Elitista e Popular. A erudita com o surgimento de novos artistas presentes em óperas e concertos (muitas vezes não consumido pelas massas mesmo com incentivos estatais que barateiam o acesso). Um dos grandes expoentes que tivemos foi Heitor Villa Lobos, fora casos ignorados pela mídia tradicional… Já no espectro elitista (Mais conceitual que financeiro) vem as readaptações e fusões com outros gêneros de propostas atemporais apresentando-se como base para complementos junto a música eletrônica, reggae, hip hop, rock, samba, forró, maracatu e outras expressões culturais regionais que enriquecem expressões e movimentos como um todo. Por fim temos o popular (Que também é consumido por partes das elites cultural e financeira em menor escala mas isso ocorre) que está no mainstream nacional com quatro frentes: Sertanejo contemporâneo, Piseiro, Pagode e “Funk”. As aspas existem aqui pois quem detém o conhecimento sabe que esse som experimental não é funk! O funk brasileiro que teve à frente Tim Maia, Ed Motta, Fat Family, Sandra de Sá e algumas músicas da cantora e compositora Fernanda Abreu, principalmente em seu álbum de estréia solo SLA RADICAL DANCE DISCO CLUB, lançado em 1990. O funk às vezes funde-se com o R&B ou o Soul mas é bem diferente disse que escutamos por aí através de “acidentes de percurso”!
Desse movimento que surgiu da criatividade do DJ Marlboro houve influências do Miami Freestyle no final dos anos 1980. Enfim até 1999 podíamos mencionar o funk sem receios ou sustos.
O sertanejo passou por atualizações e hoje reflete o que o agro consome através de histórias vivenciadas de cunho pessoal através de seus dramas e causos. O mesmo podemos afirmar do forró (vertente do forró) e também esse funk contemporâneo que por crise de identidade ou um melhor posicionamento que tenta mitigar preconceitos quer ser inserido na música eletrônica e/ou no hip hop e ambos movimentos são resistentes a essa introdução. O pagode é a vertente romântica do samba que serve como meio termo a tudo isso! Sempre com estabelecimentos e eventos cheios e novos artistas surgindo.
Em poucos parágrafos tentei explanar algumas concepções da realidade que apresenta-se desoladora para uns mas bem consumida por outros, impulsionada pela mídia tradicional e consequências das falências tanto da indústria fonográfica quanto da mídia segmentada e especializada que sucumbiram aos sinais do tempo e deixou muitos órfãos…
…Isso é o seculo XXI. Ame-o ou Adapte-se!



