Tempos atrás escrevi para essa coluna sobre a origem da quarta-feira de cinzas e sobre dias coloridos que sempre vem depois de dias cinzas. Você pode acessar aqui: https://jornalpanoramico.com.br/colunas/quarta-feira-de-cinzas/
Estamos na reta final para o grande dia da Páscoa, onde se encerrará a quaresma, para tanto o recomeço após uma jornada ganha o seu espaço, quero ser breve em escrever e apenas dizer que, nenhum recomeço é do zero e todo recomeço precisa de base, raiz sólida para perdurar, do contrário não produz fruto. Quero compartilhar com vocês meus leitores e a quem sempre me inspira a escrever, um texto que me inspira em momentos como esse e espero que lhe inspire também, uma autobiografia em 5 capítulos¹:
CAPÍTULO 1. Ando pela rua. Há um buraco fundo na calçada. Caio. Estou perdido, sem esperança. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para eu encontrar a saída.
CAPÍTULO 2. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada, mas finjo não vê-lo. Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar, mas não é culpa minha. Ainda assim, leva um tempão para eu sair.
CAPÍTULO 3. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está. Ainda assim, caio. É um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou. É minha culpa. Saio imediatamente.
CAPÍTULO 4. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.
CAPÍTULO 5. Ando por outra rua.
Ao menor sintoma de perdão, RECOMECE.
¹Texto extraído de O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche (Ed. Talento/Palas Athena)