Quando a falta de organização transforma uma corrida em um exemplo de como não fazer um evento
Domingo foi um dia triste para o esporte de Itapetininga.
Infelizmente, presenciamos um verdadeiro exemplo de como uma corrida de rua não deve ser organizada.
Escrevo esta coluna porque amo o esporte e porque acredito que o atleta merece respeito. E respeito não é apenas entregar uma medalha na linha de chegada. Respeito é oferecer uma prova organizada, transparente e à altura de quem treinou durante meses e pagou para estar ali.
O que aconteceu foi uma sequência de erros que deixou atletas, familiares e espectadores indignados.
A largada atrasou cerca de 25 minutos.
A cronometragem foi feita manualmente, com papel e caneta, um método extremamente suscetível a falhas quando se recebe centenas de corredores cruzando a linha de chegada em poucos minutos.
E as falhas apareceram.
Uma atleta foi chamada ao pódio. Caminhou até lá, comemorou e, diante de todos, foi informada de que estava na categoria errada e precisou descer.
Outra atleta subiu ao pódio e também teve que deixar a premiação porque a classificação havia sido feita de forma incorreta.
Houve corredores inscritos nos 5 quilômetros aparecendo na classificação dos 10 quilômetros.
A cada nova chamada surgia uma nova correção.
A cada correção, mais dúvidas.
A cada dúvida, mais constrangimento.
A cerimônia de premiação, que deveria celebrar o esforço de todos, transformou-se em mais de uma hora e meia de confusão.
O problema não foi um erro isolado.
Foi uma sucessão de erros.
Quando a organização falha em praticamente todas as etapas, o prejuízo vai muito além da classificação final. O atleta perde a confiança. Quem veio de outras cidades leva uma imagem negativa do evento. E quem ama o esporte sente vergonha por ver a corrida de rua passar por uma situação como essa.
Organizar uma prova é muito mais do que abrir inscrições. Exige planejamento, equipe preparada, tecnologia quando necessária e, acima de tudo, respeito por quem investe tempo, dinheiro e dedicação para estar na linha de largada.
Como professor de Educação Física, sinto-me na obrigação de defender os atletas. Não importa quem organizou o evento. O compromisso precisa ser sempre com a qualidade e com a credibilidade.
Que tudo o que aconteceu sirva de reflexão.
Porque medalhas podem até ser corrigidas, mas o constrangimento vivido por muitos atletas diante de um pódio lotado, isso ninguém consegue apagar.
O esporte de Itapetininga merece mais e os atletas merecem muito mais.
Espero, sinceramente, que esse episódio sirva de aprendizado. Toda crítica responsável deve ter um objetivo: melhorar o esporte.
Os atletas merecem respeito e respeito começa pela organização.