Viagens Internacionais de ônibus é possível?

Quando pensamos em vaigens internacionais pensamos apenas no modal aéreo. Isso ocorre pelo fato de atravessarmos outros continentes e haver oceano que separa os territórios brasileiro e estrangeiros. Quem busca explorar a América do Sul e está com o orçamento limitado há opções rodoviárias que surgem como alternativa. De Itapetininga diretamente não é possível fazer isso (por enquanto) mas através de 02 hubs estratégicos de fácil acesso a cidade, como São Paulo e Curitiba é possível iniciar essa trajetória.

Há rotas para Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia e até o Peru. Viajar de ônibus pode ser considerado uma alternativa viável e econômica para os (as) aventureiros (as) que tem medo de avião ou não tem segurança de ir de carro ou moto a esses lugares mas tem o desejo de conhecer os países vizinhos, já que o espanhol é um idioma de origem latina, assim como português e quem possui dificuldades com a língua inglesa ou outra é interessante essa possibilidade. Quem reside na região sul, devido a proximidade com alguns países como Argentina, Paraguai e Uruguai já há uma logística favorável. Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás não possuem essas vantagens porém figura em um status intermediário por não ser muito perto e não muito longe. Os Estados da região nordeste e norte já são mais desafiadores devido distância, oceano e rios cortarem majoritariamente respectivas regiões, dificultando acessos. Há situações de desafios naturais, como a floresta amazônica e infraestrutura deficitária já que o poder público sempre tratou com descaso algumas regiões no país para atrair interesses próprios e dependência social desses cidadãos locais.

Como estamos no estado de São Paulo e próximos do estado do Paraná o foco será a origem desses locais. Na capital Paulista, como há 3 terminais rodoviários, para não haver dificuldades entenda que: Barra Funda atende o inteior do estado, norte do Paraná e Sul de Minas. Jabaquara a baixada santista no litoral do estado. Já o Tietê abrange o litoral norte, algumas regiões do interior, demais estados e cidades brasileiras e essas rotas internacionais que é o tema da coluna essa semana. No Paraná, em Curitiba a estação rodoferroviária atende todo o país e alguns países da América do Sul. Ao viajante itapetiningano há a escolha de ir à São Paulo no Terminal Barra Funda e depois seguir em direção a Rodoviária do Tietê (É possível fazer isso de metrô – Fuja do horário de pico para não sofrer com superlotação e algumas características típicas do cotidiano da cidade que o próprio paulistano não suporta, quanto mais um turista não acostumado com essa pulsação constante). Já quem pretende ir para a capital paranaense após umas 9/10 horas de viagem será necessário aguardar quase o dia inteiro para poder embarcar. Tanto a maioria dos vôos internacionais quanto as viagens rodoviárias ocorrem no período noturno. Geralmente partem inicialmente do Rio de Janeiro e vai parando em algumas cidades para embarques e possíveis desembarques de passageiros.

Uma viagem de São Paulo para Montevidéo no Uruguai por exemplo dura aproximadamente de 28 à 30 horas de viagem. De Curitiba à Montevidéo retira-se 6 horas do tempo (Média de SP à CWB são 6 horas no modal rodoviário), portanto de 22 horas à 25 horas. O leitor de Itapetininga deve levar em consideração o tempo entre Itapetininga à São Paulo – Média de 3 horas e o deslocamento entre barra funda e tietê, média de uns 15 minutos devido baldeações. Já por Curitiba as saídas da rodoviária da cidade costumam ser a noite com desembarque em solo curitibano pela manhã do dia seguinte. Para quem gosta e tem interesse em turistar vale a pena, já que a rodoviária paranaense está próxima ao jardim botânico, ponto turístico do município.

As empresas que operam a rota com direção à capital uruguaia são:

TTL (Transporte Turismo): Oferece serviços saindo de Porto Alegre e São Paulo, com paradas em cidades como Punta del Este.
EGA (Empresa General Artigas): Empresa uruguaia com rotas frequentes ligando o Brasil ao Uruguai.

Se você busca conhecer a Argentina há 02 opções que te levam à Buenos Aires. As empresas Crucero del Norte e a JBL Internacional. Ambas as rotas não costumam passar por Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Saem de São Paulo com direção à Curitiba seguindo em direção a Foz do Iguaçu. O tempo médio de viagem saindo de SP costuma ser em média 1 dia e 20 horas (cerca de 41 a 45 horas), ressaltando que o coletivo sai do Rio de Janeiro. O caso de Foz é mais interessante. Como está situada na tríplice fronteira e tem as cataratas como ponto turístico é possível ir até lá e de lá conseguir viajar para outros destinos na Argentina ou Paraguai por estar ao lado de Puerto Iguazú na Argentina e Ciudad Del Este e Presidente Franco no Paraguai. Há ônibus para esses municípios vizinhos e nas rodoviárias locais é possível adentrar mais ambas as nações com opções a diversas partes dos países mencionados.

Já em direção à Bolívia as opções variam entre rotas diretas saindo de São Paulo ou Campo Grande no Mato Grosso do Sul ou com conexão na fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro. O tempo de viagem é de aproximadamente 32 horas. Um lado positivo é que os ônibus saem em São Paulo do terminal da Barra Funda, o que facilita para muitos viajantes do interior irem para lá. Há situações que são necessárias conexões caso saiam daqui. A rota direta que sai de SP vai em direção à Santa Cruz de la Sierra. O município é uma metrópole boliviana e não possui altitude significativa. Por Corumbá é possível seguir com direção a cidade através de trem.

No final deixei duas rotas extensas para quem quiser conhecer o Oceano Pacífico poder planejar suas viagens… A seguir vamos ver como faz para ir ao Peru e ao Chile de ônibus saindo do Brasil.

Para o Peru temos um cenário “atrativo”. Essa é considerada a viagem rodoviária mais longa do mundo. Seu início ocorre no Rio de Janeiro, passa por São Paulo e seu destino final é a capital peruana Lima, passando por Cusco e outras regiões turísticas do país andino. O percurso atravessa a Rodovia Interoceânica, cruzando a região amazônica e a cordilheira dos Andes. Sua duração é de aproximadamente 5 a 6 dias. As principais paradas ocorrem em Cuiabá (MT), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Puerto Maldonado e Cusco, já em território peruano, antes de chegar à capital Lima.

Por fim para quem pretende conhecer o Chile segue alguns pontos… Viajar do Brasil para o Chile de ônibus é uma aventura de longa distância que leva cerca de 2 a 3 dias (aproximadamente 50 a 65 horas), dependendo da cidade de origem. A rota mais comum parte de São Paulo ou Rio de Janeiro com destino a Santiago. Há conexões durante o percurso tanto em território brasileiro quando no argentino já que o Chile não faz fronteira com o Brasil. Um lado interessante é que será possível cruzar as cordilheiras dos Andes na território fronteiriço entre Argentina e Chile. Para quem nunca viu neve na vida, vale a experiência.

A seguir deixarei registrado algumas dicas importantes que facilitarão a sua entrada nesses países. Fiquem atentos (as)

URUGUAI:

Documentação Necessária
Como o Uruguai é membro do Mercosul, brasileiros não precisam de visto, mas devem portar:
RG Original (O mesmo deve estar em bom estado e ter sido emitido há menos de 10 anos) ou Passaporte Válido: Recomendado para maior facilidade na imigração. É importante a contratação de um Seguro Viagem. É altamente recomendado (e por vezes exigido) que cubra despesas de saúde no exterior. (A CNH não é aceita como documento de identidade para ingressar no país – serve apenas para dirigir. Se você optar por ir de carro não deixe de contratar o Seguro Verde, caso contrário seu veículo estará impedido de adentrar o país.

Ao cruzar a fronteira (geralmente pelo Chuí ou Jaguarão), o ônibus para na aduana. Em muitas viagens de empresas como a TTL, os motoristas recolhem os documentos dos passageiros para realizar os trâmites de imigração, evitando que todos precisem desembarcar de madrugada.

ARGENTINA:

Para brasileiros ingressarem na Argentina, é necessário apresentar: RG original (em bom estado e com foto atualizada) ou Passaporte válido. Em todos os países da América do Sul Carteira de habilitação (CNH) não é aceita como documento de identidade para imigração, apenas para dirigir e importante a contratação do Seguro Verde caso vá com seu veículo para lá.

Os viajante que optarem por ônibus, os mesmos costumam ser do tipo G7 Paradiso (dois andares), oferecendo poltronas leito ou semi-leito, manta, água mineral e paradas programadas para refeições em pontos como a rede Graal. As bagagens possuem vantagéns em comparação a companhias áreas, mesmo as low cost. As franquias geralmente são mais generosas, útil para quem pretende trazer vinhos ou alfajores. Na imigração os ônibus param na aduana para que os passageiros realizem os trâmites migratórios. Em Foz do Iguaçu, alguns ônibus utilizam um corredor turístico para agilizar o processo.

BOLÍVIA:

As principais rotas e empresas saem de São Paulo (Terminal Barra Funda) para Santa Cruz de la Sierra: É a principal rota direta. Empresas como a La Preferida Bus e Crucenha operam o trecho. A documentação para brasileiros, basta o RG original (em bom estado e com menos de 10 anos de emissão) ou Passaporte. O Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela é frequentemente exigido na imigração. Fronteira: A imigração em Puerto Quijarro costuma funcionar inclusive nos finais de semana, mas é recomendável chegar cedo para evitar filas. Recomenda-se embalar bem a bagagem para protegê-la da poeira e estar preparado para possíveis atrasos ou imprevistos comuns em rotas internacionais terrestres, já que as estradas bolivianas em alguns pontos apresentam deficiências.

PERU:

A rota principal é operada pela empresa Trans Acreana. As saídas costumam ser quinzenais, geralmente às quintas-feiras. Estima-se um gasto de cerca de R$ 500,00 para refeições durante o trajeto. As passagens podem ser consultadas e reservadas diretamente no site oficial da Trans Acreana. Os ônibus tem opções de poltronas semi-leito, leito e leito total, equipadas com ar-condicionado, Wi-Fi (sujeito a sinal), tomadas USB e banheiro. É permitido levar até 50 kg de bagagem por passageiro, um diferencial para quem viaja com muitos pertences. A documentação para brasileiros basta apresentar o RG original (em bom estado e com foto atualizada) ou o Passaporte. Recomenda-se também portar o Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela.

CHILE:

Algumas das operadoras que realizam o trajeto ou vendem trechos internacionais incluem JBL Turismo e Cruzero del Norte. A
documentação necessária ao brasileiros podem incluir apenas o RG original (emitido há menos de 10 anos e em bom estado) ou Passaporte válido. RG Digital e CNH: Não são aceitos para imigração internacional (Em todos os países citados no texto).

Ao entrar, você receberá um comprovante de entrada no país (PDI), que deve ser guardado até a saída. (Em todos os países citados. Havendo a perda do mesmo serão aplicadas multas). Além disso é recomendável ter o endereço da primeira reserva em mãos para o controle migratório. (Em todos os países citados)

Não esqueçam do seguro viagem internacional para evitarem dissabores. Principalmente na Argentina. Devido aspectos logísticos é possível comprar as passagens dessas viagens pela internet. Os residentes de SP e CWB para maior comodidade podem fazer isso também ou dirigir-se ao guichê da empresa e comprar lá. Aos itapetininganos só faça se você tiver tempo para isso e tenham dias de hospedagens em ambas cidades e assim aproveitar a oportunidade, caso contrário apenas pela internet.

Juntem dinheiro e viagens. A maior riqueza do ser humano são experiências e vivências… Um Cruzeiro Marítimo ou viagem de avião podem ser custosas mas de ônibus certamente será algo interessante. Quando fui à Argentina em 2014 fui de ônibus e voltei de avião. Na época valores bem atrativos comparados a valores atuais. Colecionem carimbos e fotos de momentos incríveis, sejam com a família, cônjuge ou sozinho (a).

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