Expressar é dar companhia ao que sentimos

Por: Celso Cristiano

Existe um poder em nossa capacidade de comunicação que dissolve o que é duro em nós. As palavras nos ajudam a nos reorganizar por dentro quando está tudo muito desarranjado.

Há dias em que a gente não precisa de respostas, a gente só precisa conseguir dizer. Dizer que está cansado, que alguma coisa doeu, que determinada ausência ainda aperta, que o medo apareceu e paralisou. Às vezes, precisamos simplesmente encontrar alguém disposto a escutar sem transformar imediatamente aquilo que sentimos em conselho, diagnóstico ou solução.

Talvez seja por isso que as palavras tenham tanta força. Quando colocamos em palavras aquilo que nos atravessa, alguma coisa começa a mudar de lugar e até de tamanho. O que antes era apenas um incômodo difuso ganha contorno. O medo pode ganhar nome. A tristeza encontra uma frase. A angústia, antes espalhada pelo corpo inteiro, encontra uma pequena fresta por onde respirar.

Reconhecer o que sentimos não é fraqueza, até porque, dar nome às próprias emoções não significa alimentá-las. Pelo contrário, muitas vezes, é o primeiro passo para que elas deixem de determinar de maneira ruim a nossa relação com o mundo e com as pessoas.

Há sentimentos que se alimentam do nosso próprio silêncio em relação a eles e, que quando encontram palavras, encontram também possibilidade de compreensão. Por isso, escrever pode ser uma forma de companhia e conversar pode ser uma forma de cuidado. Pedir ajuda pode ser um gesto de coragem e ouvir alguém pode ser uma das maneiras mais simples e mais profundas de dizer: “Você não precisa carregar isso sozinho”.

Talvez a comunicação tenha esse poder porque, no fundo, ela nos lembra de algo essencial: somos seres de fala, de expressão e de vínculo. Expressar o que sentimos é, também, dar companhia para nossas angústias, é retirar do baú da solidão o que precisa ser arejado na luz.

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