Escrevo para vocês e sou um ser errante, que sempre busca melhorar. Vivemos em uma sociedade que pune o erro com severidade, seja na escola, no trabalho ou nas relações pessoais.
O erro, porém, não é um sinal de fracasso, é um convite à reflexão, uma etapa necessária no caminho do acerto. Quando tratamos o erro como inimigo, negamos a própria natureza humana e bloqueamos o processo de aprender, inovar e evoluir.
O erro na escola
Na escola, esse olhar ainda é um desafio. Muitos alunos crescem acreditando que errar é motivo de vergonha, e não de aprendizado. Isso acontece porque o sistema educacional, historicamente, valorizou o acerto em detrimento da tentativa.
A nota 10 sempre brilhou mais do que o esforço e a curiosidade de quem se arrisca. Contudo, a psicologia da educação nos mostra que a aprendizagem significativa nasce do enfrentamento dos próprios limites, e da coragem de tentar novamente.
Erro não é para ser punido, é para ser corrigido. O que precisa ser questionado é a negligência, a desatenção e o descuido, mas não a tentativa honesta. O erro faz parte do processo de acerto, da busca por construir algo melhor.
É nesse ciclo de tentativa, análise e correção que nascem as descobertas e o verdadeiro aprendizado.
O valor do erro
A clássica frase “errar é humano” não é desculpa, é explicação. Ela nos lembra que somos falíveis, e justamente por isso capazes de crescer.
Aprendemos, portanto, não com o erro em si, mas com a correção do erro. Se o erro fosse o grande mestre, bastaria errar bastante para aprender — e sabemos que há erros que custam caro demais para isso.
O aprendizado real surge quando se reconhece a falha, se compreende a causa e se faz diferente da próxima vez.
Como dizia Albert Einstein¹, “tolo é aquele que faz as coisas sempre do mesmo jeito e espera resultados diferentes.”
O medo de errar
Infelizmente, muitas escolas ainda reforçam o medo de errar. Em trabalhos e provas, o erro é destacado com caneta vermelha, grande e implacável, enquanto o acerto aparece pequeno, quase tímido, em azul.
Esse contraste ensina, desde cedo, que o equívoco deve ser evitado, e não enfrentado. É uma pena, porque o erro é parte vital da criatividade e da inovação — sem ele, não haveria ciência, arte nem progresso.
Um novo olhar sobre o erro
É urgente mudar essa lógica. Devemos ensinar nossos queridos, e a nós mesmos, a enxergar o erro como oportunidade.
O papel do professor, do psicólogo e de todo educador é guiar o aluno nesse processo de compreender o que deu errado e por que deu errado, ajudando-o a reconstruir o caminho com segurança e confiança.
Errar é humano, corrigir é educativo. Reconhecer o valor do erro não é elogiá-lo, mas admiti-lo como parte do cotidiano de quem aprende e cresce.
Na vida, como na escola, o que realmente importa não é quantas vezes falhamos, mas quantas vezes escolhemos tentar de novo.
¹Albert Einstein (1879-1955): foi um físico e matemático alemão. Entrou para o rol dos maiores gênios da humanidade ao desenvolver a Teoria da Relatividade.